Sob a liderança do presidente conservador Abelardo de la Espriella, a Colômbia abriu sua embaixada em Jerusalém, revertendo o rompimento diplomático de 2024 com Israel. Alinhada a Donald Trump, a iniciativa contraria a posição da maioria dos países, que mantêm sedes em Tel Aviv devido às disputas pelo status da cidade. Enquanto autoridades israelenses celebraram a reaproximação estratégica, a Autoridade Palestina condenou o ato como uma violação direta do direito internacional e da ONU.
A mudança representa uma ruptura com a posição adotada pela maior parte da comunidade internacional, que não reconhece Jerusalém como capital de Israel e mantém suas embaixadas em Tel Aviv.
A cerimônia reuniu o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, seu homólogo colombiano, Omar Bula, a embaixadora da Colômbia em Israel, Tania Gilinski, e o prefeito de Jerusalém, Moshe Lion. O evento incluiu o tradicional corte da fita inaugural e a apresentação da placa oficial da nova representação diplomática.
"É uma data importante para o Estado de Israel. É também uma data importante para a cidade de Jerusalém", declarou Saar ao assinar o livro de honra da embaixada.
A transferência da representação diplomática para Jerusalém foi decidida pelo presidente colombiano Abelardo de la Espriella, político conservador que assumiu o cargo neste ano após a eleição presidencial. Aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, ele promoveu uma rápida reaproximação com Israel depois do período de distanciamento sob o governo anterior.
Reaproximação após rompimento diplomático
As relações entre os dois países haviam sido rompidas em 2024 pelo então presidente Gustavo Petro. Na ocasião, o governo colombiano anunciou a suspensão dos vínculos diplomáticos em protesto contra a ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza.
Desde que assumiu o poder, De la Espriella passou a defender a reconstrução da parceria bilateral. A inauguração da embaixada em Jerusalém tornou-se um dos gestos mais simbólicos dessa mudança de orientação diplomática.
Durante a cerimônia, Omar Bula classificou a abertura da missão como um "passo concreto" rumo à normalização completa do vínculo entre os dois países. "A relação entre Colômbia e Israel jamais deveria ter sido interrompida", afirmou o chanceler colombiano.
Tania Gilinski, por sua vez, reforçou a posição do novo governo: "Israel é um parceiro estratégico, sempre foi e continuará sendo, agora com ainda mais determinação e força", declarou.
Para Gideon Saar, a decisão abre uma nova etapa na cooperação bilateral. "É o começo de uma era de ouro nas relações entre nossos dois países", disse.
Jerusalém permanece no centro das disputas
A inauguração da embaixada colombiana provocou reação imediata da Autoridade Palestina. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores palestino condenou a decisão do governo colombiano e a classificou como uma medida contrária ao direito internacional.
Segundo o texto, a transferência da representação diplomática constitui uma "violação flagrante do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas", além de representar uma afronta ao povo palestino e a seus direitos nacionais.
O status de Jerusalém continua sendo uma das questões mais sensíveis do conflito entre israelenses e palestinos. Israel considera a cidade sua capital indivisível, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como futura capital de um Estado palestino.
Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel conquistou a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, território posteriormente anexado. A anexação, porém, nunca foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas nem pela maioria dos países.
Por esse motivo, quase todos os Estados que mantêm relações diplomáticas com Israel continuam instalados em Tel Aviv.
Grupo de países continua reduzido
Com a inauguração da nova sede diplomática, a Colômbia passa a integrar um grupo ainda limitado de nações que estabeleceram suas embaixadas em Jerusalém.
Atualmente, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, Kosovo, Papua-Nova Guiné, Paraguai, Fiji, Nauru e Somalilândia mantêm representações diplomáticas na cidade.
A mudança mais emblemática ocorreu em 2018, quando Donald Trump determinou a transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, decisão que desencadeou críticas de aliados europeus e de países árabes, mas incentivou movimentos semelhantes por parte de alguns governos próximos a Washington.
Na semana passada, Gideon Saar afirmou que a República Democrática do Congo também pretende transferir sua embaixada para Jerusalém em breve, o que ampliaria o número de países que desafiam o consenso internacional predominante sobre o status da cidade.
Com AFP