Christa Pike, condenada à morte por assassinato em 1995 no Tennessee, sobreviveu a duas doses de injeção letal e acordou no hospital quando os aparelhos seriam desligados por suspeita de morte cerebral. Desorientada e com sequelas de saúde, ela segue sob custódia enquanto a Justiça determinou a preservação das provas da execução. O caso levou o governador a suspender as execuções no estado e abrir uma investigação, reacendendo debates e protestos sobre a transparência do método nos Estados Unidos.
Christa Pike estava prestes a ser desligada dos aparelhos que a mantinham viva antes de recuperar a consciência, afirmaram seus advogados nesta quarta-feira (7), uma semana após o episódio.
"Na noite de segunda-feira, acreditávamos que Christa estava com morte cerebral e que os aparelhos que a mantinham viva seriam desligados no dia seguinte. Mas, na terça-feira, para surpresa de todos, inclusive minha, de sua equipe jurídica e da equipe médica, Christa acordou e começou a falar", declarou o advogado Randy Spivey após uma audiência em um tribunal do Tennessee.
Quando recuperou a consciência, "a primeira coisa que ela disse foi: 'Onde estou? Quem são vocês?'", acrescentou Spivey. "Acho que ela está revoltada e desorientada com tudo o que aconteceu. Ela tem plena consciência de que o Estado do Tennessee tentou executá-la", afirmou. Segundo ele, as lembranças do ocorrido estão retornando gradualmente.
De acordo com o advogado, Christa Pike tem um coágulo sanguíneo em um dos braços, sofre de pneumonia e "ainda não consegue engolir, portanto não se alimentou". Ela permanece acorrentada à cama do hospital por um dos pés e uma das mãos. Ao fim da audiência, a juíza atendeu ao pedido da defesa e determinou que a administração penitenciária preserve todas as provas materiais e os documentos relacionados à tentativa de execução.
A ordem inclui tudo o que estava na sala de execução, como a solução letal, seringas e equipamentos de infusão, inclusive materiais que seriam descartados. Luke Ihnen, outro advogado de Christa Pike, elogiou a busca por "transparência". "Christa, os tribunais, a imprensa e a população não devem simplesmente aceitar a versão do Estado sobre o que aconteceu na última quarta-feira", afirmou.
Os opositores da pena de morte nos Estados Unidos exigem o fim do sigilo sobre todo o processo, incluindo a origem dos produtos utilizados, as etapas da execução e a qualificação dos profissionais responsáveis por sua aplicação.
Moratória de três anos
No Texas, os advogados de Jamaal Howard, de 46 anos, citaram sem sucesso a "execução terrivelmente fracassada de Christa Pike" ao pedir ao governador Greg Abbott o adiamento por 30 dias da execução de seu cliente. Howard recebeu o mesmo produto utilizado no caso de Pike e foi executado na quarta-feira no Texas, informou a administração penitenciária.
Condenado à pena de morte por assassinato, Jamaal Howard é a 30ª pessoa executada no país desde o início do ano.
O presidente republicano Donald Trump, defensor da pena de morte, também autorizou na segunda-feira a execução militar do autor do massacre ocorrido na base de Fort Hood, no Texas, em 2009, que deixou 13 mortos. O condenado deverá ser fuzilado em 3 de dezembro.
O governador do Tennessee, Bill Lee, ordenou a suspensão das execuções no estado e a abertura de uma investigação independente, além de aceitar a renúncia do diretor da administração penitenciária.
A administração penitenciária afirma ter seguido rigorosamente o protocolo adotado após a retomada das execuções no Tennessee, em maio de 2025, depois de uma moratória de três anos. Christa Pike foi condenada à morte por torturar e assassinar, em 1995, uma jovem de 19 anos, um ano mais velha que ela na época.
Com agências