Chavismo e oposição venezuelana iniciam nova rodada de diálogo com foco em garantias políticas e reformas institucionais para viabilizar eleições livres, processo apoiado pelos EUA. Enquanto a oposição busca fortalecer poderes públicos e a reconciliação, o governo foca na cooperação internacional. Paralelamente, autoridades norte-americanas anunciaram a prisão do colombiano Álvaro Pulido, ligado ao chavismo e acusado de lavar dinheiro desviado de programas estatais de alimentos venezuelanos.
Pedro Pannunzio, correspondente da RFI na Venezuela
A nova rodada de negociações foi confirmada por Marco Rubio na última sexta-feira (9), após uma reunião com Dinorah Figuera, que encabeça o grupo opositor. As delegações já haviam se reunido em Caracas em meados de agosto e no final de setembro.
"Esse processo conta com apoio integral, o mais forte apoio possível, dos mais altos escalões do nosso governo", afirmou Rubio. O secretário de Estado disse, ainda, que o processo de diálogo "deve resultar em eleições livres e democráticas". O responsável pela diplomacia da Casa Branca também ressaltou que as negociações devem ir além da realização de novas eleições. O objetivo final, segundo ele, é fortalecer as instituições democráticas do país caribenho.
As negociações entre os dois grupos incluem propostas de reforma dos sistemas judiciário e eleitoral, defendidas pela oposição como medidas necessárias para assegurar eleições justas. Até o momento, não há previsão para a realização de um novo pleito na Venezuela.
"Estamos comprometidos com a reinstitucionalização dos poderes públicos, como o Tribunal Supremo de Justiça e o Conselho Nacional Eleitoral, para apresentar ao país um processo de garantias políticas e civis e estabelecer um espaço para o reencontro e reconciliação. Não é um processo fácil, mas é um processo possível", afirmou Dinorah Figuera, ao lado de Marco Rubio.
A Assembleia Nacional de 2015, eleita quando a oposição conquistou a maioria do Parlamento venezuelano, foi esvaziada em 2017, após a criação de uma Assembleia Constituinte pelo governo de Nicolás Maduro. Desde então, seus integrantes reivindicam a legitimidade do Poder Legislativo.
Do lado do chavismo, as conversas são lideradas por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Sua irmã, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, desembarcou neste domingo (11) em Roma para participar do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
"Trazemos a experiência da Venezuela e o compromisso de ampliar a cooperação internacional em prol da produção agrícola, da segurança e soberania alimentar e do desenvolvimento sustentável", afirmou a mandatária ao canal estatal VTV após desembarcar na Itália.
Cooperação com os EUA
Neste domingo (11), o Procurador-Geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que Washington prendeu o colombiano Álvaro Pulido, ex-sócio de Alex Saab, homem forte do governo de Nicolás Maduro que há cinco meses está detido na Flórida, após ser extraditado pelo governo de Delcy Rodríguez.
Pulido é alvo de duas acusações por lavagem de dinheiro de recursos que teriam sido desviados das Bolsas Clap, um programa de distribuição de alimentos implementado na Venezuela a partir de 2016, durante o início da severa crise econômica enfrentada no país.
"Segundo as acusações, suas ações demonstram desprezo pelo povo venezuelano, ao desviar, em benefício próprio, recursos de programas governamentais destinados a garantir alimentos, medicamentos e moradia, além de utilizar o sistema financeiro americano para viabilizar as operações", disse Blanche em uma publicação nas redes sociais que ratificou a prisão do colombiano.
O Procurador-Geral não confirmou que a prisão se deu após um novo caso de extradição, mas, de acordo com diversas publicações da imprensa local, Pulido estava detido na Venezuela desde 2023, acusado de corrupção. O governo venezuelano não se pronunciou sobre o caso.