Em investigação em torno do caso Master, a Polícia Federal aponta que Eduardo Bolsonaro teria sido o responsável por orientar como gerir o dinheiro de Dark Horse, o filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos. Segundo a corporação, a obra receberia US$ 24 milhões de Daniel Vorcaro, o equivalente a cerca de R$ 122 milhões, mas que os repasses não foram todos concluídos.
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As informações tiveram o sigilo derrubado na noite desta quinta-feira, 10, após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornar públicos os documentos da investigação devido ao pedido do presidente do Supremo, Edson Fachin. O relatório que cita essa relação de Eduardo com o filme foi localizado pelo Valor. O inquérito sobre o Dark Horse, em si, segue em sigilo.
O que a PF aponta é que o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, ficou “inerte” por quatro anos até receber os recursos de Vorcaro, apontados supostamente como destinados para financiar a produção da obra. O fundo era administrado por Paulo Calixto, advogado próximo a Eduardo.
"A Calixsan Capital Management LLC — gestora do fundo, controlada pelos mesmos PAULO CALIXTO e ALTIERIS SANTANA — cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos no Texas (maio de 2021) e na Flórida (setembro de 2021), justamente quando o empreendimento deveria, segundo seu próprio cronograma, estar em plenas obras. [..] O fundo permaneceu juridicamente ativo, mas operacionalmente inerte por quase quatro anos, sem qualquer atividade pública registrada — até receber, em 13/02/2025, a primeira remessa de US$ 2.000.000,00 proveniente da ENTRE INVESTIMENTOS para financiamento do filme", aponta o inquérito.
No caso, a Entre Investimentos é do empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele teve um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) homologado por Mendonça nesta semana. De acordo com informações obtidas pelo Blog da Sadi, do G1, ele detalhou como os repasses foram feitos no depoimento.
De acordo com Mineiro, teriam sido realizados ao longo de 2025 sete repasses ao fundo que financiou o filme Dark Horse no valor de US$ 12,333 milhões. Na cotação da época, o valor equivaleria a R$ 62,8 milhões. Os repasses foram feitos a título de "subscrições de cotas" para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, de janeiro a setembro do ano passado a mando de Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora candidato à Presidência da República. Além disso, ele afirmou na delação que, ao todo, seriam dez subscrições -- mas que apenas sete foram efetivamente realizadas
A versão é diferente da que vem sendo afirmado por Flávio, que alega que o último pagamento teria sido realizado em maio de 2025, e não em setembro. Ao Terra, a equipe de Flávio não comentou sobre a questão.
À PF, a PGR aponta em documentos do inquérito que era Eduardo quem teria colocado a estrutura do fundo “para operar o esquema”. "Foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, em que colocou ALTIERIS CHAVES SANTANA, diretor da empresa HAVENGATE DEVELOPMENT FUND GP LLC7, à disposição para operar o esquema", afirma trecho.
"O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos. Meu receio é que você seja solicito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje a noite, por favor? O Altieris Santana [um dos sócios do Havangate] está a disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja." – Mensagem de Eduardo Bolsonaro, conforme inquérito.
O Terra tenta contato com Eduardo Bolsonado. O espaço segue aberto para manifestações.