Relatório sigiloso da Polícia Federal, revelado pela revista Piauí, aponta suspeitas de que o ministro Dias Toffoli seja o beneficiário final do fundo Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O montante teria sido enviado a um paraíso fiscal no Caribe. O fundo também era sócio de um resort ligado à família do magistrado e passou para um amigo de Toffoli. O ministro nega elos ou repasses do banqueiro e não comentou sobre os recursos no exterior.
Um relatório da Polícia Federal (PF) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o "beneficiário final" ou "proprietário de fato" do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O documento da PF foi mantido em sigilo há sete meses sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e revelado pela revista Piauí nesta sexta-feira, 10.
Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele. Procurado pelo Estadão na manhã desta sexta-feira, ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior.
Segundo o relatório, o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíse fiscal no Caribe.
"Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos", afirma o relatório revelado pela revista.