"Dark Horse": Mendonça homologa delação de operador de repasses
O ministro André Mendonça, do STF, homologou a delação do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro. Apontado como operador de propinas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ele admitiu repassar US$ 12,3 milhões a um fundo nos EUA. O dinheiro, solicitado pelo senador Flávio Bolsonaro, teria financiado o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e custeado Eduardo Bolsonaro no exterior. O caso intensifica a crise institucional no STF em meio a investigações de fraudes financeiras.
Empresário conhecido como Mineiro fez repasses para fundo nos EUA usado para financiar filme sobre Jair Bolsonaro, a mando de Daniel Vorcaro. Ele seria o responsável por "gerar" dinheiro para pagamentos de propina.O ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (09/09) o acordo de delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Ele é o proprietário da empresa Entre Investimentos, que fez repasses para o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, a mando do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Alguns desses repasses foram enviados para o fundo Havengate nos Estados Unidos, e teriam sido utilizados para financiar o filme. Há suspeitas de que o fundo também teria sido utilizado para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde fevereiro de 2025.
Mineiro foi ouvido nesta terça-feira em audiência com um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, na qual ele afirmou que a delação foi voluntária - o que é um pré-requisito para que uma delação possa ser homologada.
Mendonça vem sendo pressionado para avançar no inquérito que apura os repasses para filme. Ele se tornou o centro de uma crise institucional dentro do Supremo, envolvendo uma troca de denuncias entre ele e o também ministro do STF Alexandre de Moraes, com prolongamentos sobre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF).
Responsável por "gerar" dinheiro para propinas
Segundo apuração da jornalista Andréia Sadi em seu blog no portal de notícias G1, Mineiro afirmou em sua delação que ele era responsável por "gerar" dinheiro para a equipe de Vorcaro. Esse dinheiro, segundo ele, teria sido usado para pagamentos de propinas.
O empresário disse que fez sete repasses a título de "subscrições de cotas" - processo em que um fundo emite novas cotas para aumentar seu patrimônio, recebendo aporte de investidores - para o fundo Havengate entre janeiro e setembro de 2025, totalizando 12,333 milhões de dólares. Em setembro do ano passado, essa quantia equivalia a R$ 62,8 milhões.
Os valores foram pedidos a Vorcaro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair Bolsonaro e candidato à Presidência.
A delação premiada é um meio através do qual o investigado se dispõe a cooperar com as investigações, podendo receber em troca alguns benefícios concedidos pelo Estado.
Nesta quarta-feira também foi firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) a colaboração de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag Investimentos, no âmbito das investigações sobre um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.
rc (ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.