Flávio faz motociata e comício em palco de atentado a Bolsonaro e aproveita para criticar Dino
Pesquisa Quaest mostra que o candidato do PL passou de 35% em julho para 40%, enquanto Lula oscilou de 38% para 37%; resultado é simbólico porque Minas Gerais é tratado como um estado-pêndulo e 'profético' da eleição nacional
Em campanha por Minas Gerais após avançar nas pesquisas contra Lula, Flávio Bolsonaro realizou motociata e comício em Juiz de Fora, no mesmo local onde seu pai sofreu o atentado a faca em 2018. O candidato explorou a simbologia do episódio e aproveitou a crise no STF para atacar o ministro Flávio Dino, acusando-o de interferir nas eleições ao reintegrar o diretor da PF. A estratégia bolsonarista mira desgastar o rival explorando os recentes escândalos e embates que abalam a Corte.
BRASÍLIA — Um dia após a pesquisa Quaest apontar um crescimento das intenções de voto sobre o presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição em Minas Gerais, o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) explorou o atentado a faca sofrido pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, num comício em Juiz de Fora (MG) nesta quarta-feira, 9.
Flávio pousou na cidade mineira pela manhã e foi recebido por apoiadores no aeroporto da Serrinha, mais de três semanas após ter faltado à agenda alegando mau tempo para pousar. Numa coletiva de imprensa, ele falou da crise que desgasta o Supremo Tribunal Federal (STF), tema que vem sendo abordado à exaustão por sua campanha.
"Dino não tem processo para julgar, tem causa para defender, que é a causa do Lula. A decisão do Dino é claro que é para tentar interferir nas eleições", declarou, referindo-se ao ministro do STF Flávio Dino, que havia mais cedo atropelado a determinação de seu colega André Mendonça e determinado a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ao cargo.
Na terça-feira, Mendonça mandou afastar Rodrigues após o ministro Alexandre de Moraes pedir para incluir o colega de Corte no inquérito das fake news, citando um relatório apócrifo da PF apontando para uma suposta atuação irregular de Mendonça à frente do cargo.
Mendonça então partiu para cima da corporação. Alegou que o relatório citado por Moraes se tratou de um "monitoramento sistemático" e "coleta dirigida" e apontou a existência de "arapongagem" institucional promovida pelo órgão de investigação ao determinar a retirada de Rodrigues do cargo.
A decisão foi resultado direto de seu embate com Moraes, tornado protagonista de um escândalo sem precedentes no Supremo após a descoberta de sua relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro. O dono do Banco Master se aconselhava e pedia orientações ao magistrado após ter assinado um contrato de cerca de R$ 130 milhões com a esposa dele, Viviane Barci de Moraes.
Flávio também comentou os números trazidos pela Quaest, segundo os quais o candidato do PL passou de 35% em julho para 40% agora, enquanto Lula oscilou de 38% para 37%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos porcentuais.
O resultado é simbólico porque Minas Gerais é tratado como um estado-pêndulo e "profético" da eleição nacional. Desde a redemocratização, nenhum presidente foi eleito sem ganhar também no Estado.
"Tradicionalmente, quem ganha em MG, ganha no Brasil. Isso obviamente para mim é motivo de alegria. O 7 de Setembro foi uma grande festa da democracia, e a gente quer ganhar nas urnas, ao contrário do nosso adversário que parece a todo momento querer ganhar no tapetão", afirmou Flávio, cujo pai foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado para se manter no poder após a derrota para o PT em 2022.
Após participar de um desfile de motociclistas bolsonaristas pelas ruas de Juiz de Fora, cujas imagens foram pouco exploradas pela comunicação da campanha, Flávio foi ao centro da cidade para um ato simbólico em homenagem ao pai.
Foi no cruzamento das ruas Halfeld com a Baptista de Oliveira que Bolsonaro, então deputado federal candidato a presidente pelo PSL, foi vítima de um atentado a faca por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. "Aquele local nós consideramos que é o segundo nascimento do presidente Bolsonaro", disse Flávio antes do comício.
A imagem de Flávio "completando" o trajeto que seu pai não completou foi aproveitada pela comunicação da campanha em diversas publicações. Ele estava acompanhado do candidato do PL ao governo estadual, Flávio Roscoe, do candidato do PL ao Senado, Domingos Sávio, e da estrela digital do bolsonarismo, Nikolas Ferreira.
Nesta quinta-feira, Flávio visita Boa Vista, onde deve participar de uma motocarreata e um comício em trio elétrico antes de partir para Manaus, de onde prevê fazer sua tradicional transmissão ao vivo às quintas-feiras, assim como o pai fazia. Em Roraima o PL tem a inusitada candidatura ao Senado do deputado federal carioca Hélio Lopes, num movimento que incomodou correligionários locais.
Enquanto isso, a campanha de Flávio vem explorando a crise no STF para auferir ganho eleitoral do episódio. No comício do 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo, o candidato e seus aliados se dedicaram a associar Lula (PT) a Moraes nos discursos feitos em cima do carro de som, numa tentativa de desgastar a imagem do petista. Na terça, Flávio passou o dia em agenda fechada, em reuniões e gravações, enquanto o noticiário era tomado pelo terremoto institucional no Supremo.
Um membro da campanha bolsonarista diz que o candidato se beneficia "enquanto Moraes estiver sangrando", e que uma eventual solução da crise, como o afastamento do ministro, por exemplo, seria ruim para a campanha.
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