Lula atua nos bastidores para conter crise no STF e faz inflexão no discurso de campanha
Presidente avalia que medidas tomadas por Fachin são necessárias, mesmo se atingirem Alexandre de Moraes
Para conter a crise no STF, o ministro Edson Fachin assumiu o inquérito das fake news e convocou sessão para avaliar investigações contra Alexandre de Moraes. O escândalo envolvendo Moraes e o Banco Master fez Lula cair nas pesquisas, empatando com Flávio Bolsonaro. Pressionado, o presidente mudou de postura e cobrou a quebra do sigilo do caso para se distanciar do aliado, enquanto a campanha petista reagiu acusando o ministro André Mendonça de favorecer Flávio em vazamentos seletivos.
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto já esperava que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumisse a condução do inquérito das fake news, desde 2019 nas mãos do ministro Alexandre de Moraes. Em duas conversas recentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fachin não apenas avisou que faria isso como adiantou a possibilidade de também retirar do ministro André Mendonça as relatorias dos casos do Banco Master e dos desvios das aposentadorias do INSS.
Embora ainda não tenha se encarregado dos dois casos mais polêmicos, o presidente do STF também suspendeu a decisão de Mendonça que afastava do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Não foi só: marcou sessão extraordinária do STF para terça-feira, 15, destinada a julgar o pedido de Mendonça de investigação contra Moraes.
O governo classificou as decisões como necessárias para conter a crise que se arrasta na Corte, com canetadas de todos os lados e duelo entre ministros. Desde que o escândalo se agravou, com a descoberta de uma longa troca de mensagens entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro - revelada pelo Estadão -, Lula começou a perder pontos nas pesquisas de intenção de voto.
Os últimos levantamentos mostraram que o presidente está tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto, em simulações de segundo turno. Além disso, monitoramentos em redes sociais feitos pelo Planalto têm indicado que eleitores associam Moraes a Lula porque, desde a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe do 8 de Janeiro, ele sempre foi um aliado do governo.
Nesta quarta-feira, 9, porém, Lula fez uma inflexão no discurso e cobrou a quebra total do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master. Foi uma maneira de "largar a mão" de Moraes e tentar, mais uma vez, se distanciar do escândalo.
Sob pressão, Lula ouviu conselheiros políticos e do meio jurídico e adotou a estratégia de defender a quebra do sigilo dos inquéritos para todos os lados - ainda que isso atinja Moraes - para reagir ao momento de dificuldades vivido nessa corrida presidencial.
Ao mesmo tempo, no entanto, coordenadores da campanha petista ampliaram a ofensiva contra Flávio e o ministro André Mendonça, acusando-o de promover "vazamentos seletivos" para beneficiar o senador. Integrantes do Q.G petista fizeram uma mobilização em massa nas redes, nesta quarta-feira, para atacar André Mendonça. O argumento é o de que Mendonça age com dois pesos e duas medidas como relator do caso Master e não cobra explicações de Flávio sobre os R$ 134 milhões que ele pediu a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, longa-metragem sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
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