A profissional de Tecnologia da Informação (TI) Milena Ruppenthal Domingues, de 28 anos, afirmou negar qualquer participação nas mortes de Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e dos pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, de 69 e 70 anos, desaparecidos desde janeiro em Cachoeirinha. Em entrevista ao Correio do Povo, Milena disse que tem evitado sair de casa desde a prisão do marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, de 31 anos, acusado de cometer os crimes. Ré por duplo feminicídio e homicídio, ela declarou que vem estudando o caso junto à advogada e reunindo documentos que, segundo sustenta, contradizem a versão apresentada no inquérito.
Conforme a denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Milena teria participado do plano ao buscar o filho de Cristiano na casa da ex-esposa, permitindo que o policial ficasse sozinho com Silvana. A acusação também aponta que ela teria usado conhecimentos em inteligência artificial para forjar áudios com a voz da vítima, o que teria ajudado a atrair os pais de Silvana para uma emboscada. Formada em TI e com pós-graduação em IA, Milena nega ter experiência em manipulação de vozes e afirma que jamais utilizou tecnologia para práticas criminosas. Ela também declarou acreditar na inocência do marido e negou qualquer histórico de ameaças ou violência nas disputas envolvendo a guarda do filho do PM.
O caso ganhou novos desdobramentos após o Ministério Público divergir da conclusão da Polícia Civil. O delegado Ernesto Prestes, titular da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha, não indiciou Milena por assassinato, atribuindo a ela apenas crimes de menor potencial ofensivo relacionados ao pós-crime. Já o promotor Caio de Aro sustentou que, embora ela não tenha executado materialmente as mortes, sua contribuição teria sido "imprescindível" para os delitos. O MPRS ainda reclassificou o caso como duplo feminicídio, pelas mortes de Silvana e Dalmira, além de homicídio em relação a Isail.
A denúncia foi aceita pelo juiz Márcio Luciano Rossi Barbieri Homem, da 1ª Vara Criminal, tornando réus Cristiano, Milena e o irmão do policial, Wagner Domingues Francisco. Cristiano e Milena respondem por duplo feminicídio, homicídio, ocultação de cadáver, fraude processual, furto e associação criminosa. O PM também responde por abandono de incapaz e falsidade ideológica, enquanto Milena é acusada de falso testemunho. As defesas afirmam que irão demonstrar a inocência dos envolvidos ao longo da ação penal e alegam fragilidade dos indícios apresentados durante a investigação.