Enquanto os modelos de luxo tradicionalmente lideram os rankings de desvalorização, a realidade dos carros mais vendidos do Brasil é bem diferente. A pedido do Jornal do Carro, a Indicata fez um levantamento focado na depreciação e no giro de estoque dos veículos mais populares do País.
A análise mostra que ter um modelo de volume na garagem pode ser um bom negócio. O estudo leva em consideração apenas veículos seminovos com três anos de uso e média de 60.000 km rodados.
A metodologia da empresa avalia o valor de anúncio de um mesmo modelo zero e com três anos de uso e 60.000 km.
Quem ganhou dinheiro com o carro usado?
Existe a máxima de que carro não é investimento. Mas talvez esse conceito esteja ultrapassado. A Fiat Strada se destaca pela extrema estabilidade de preço. O veículo mais vendido do Brasil há cinco anos consecutivos teve desvalorização praticamente nula, de apenas 0,75%.
Já os demais líderes surpreenderam. O Volkswagen Polo, vice-líder desde 2023, registrou uma valorização expressiva de 12% no período avaliado. Trata-se da maior alta entre todos os veículos analisados pelo estudo.
O terceiro carro mais vendido do Brasil é o Chevrolet Onix e, assim como a Strada, sua desvalorização não foi significativa: o hatch da GM perdeu apenas 2,5% do seu valor de mercado.
Completando o "Top 5", o Volkswagen T-Cross registrou valorização de aproximadamente 5,6%, enquanto o Fiat Argo viu seu valor de mercado subir 7,8% em relação às médias do período anterior. Ou seja, dos cinco carros mais emplacados do País, três apresentaram alta de preço mesmo acumulando quilometragem.
Na sequência do ranking de vendas aparecem Hyundai HB20 e Creta, que registraram valorizações bastante semelhantes: 5,1% para o hatch e 5,4% para o SUV. O décimo modelo mais vendido do Brasil, o Fiat Mobi, foi outro que valorizou: o preço do compacto subiu 10,58%.
O fenômeno dos 'novatos' fora da conta
O sexto colocado entre os carros mais vendidos do Brasil é uma exceção na pesquisa. Por ter sido lançado em 2025, o Volkswagen Tera não é compatível com a mesma base de cálculo de três anos utilizada para os demais modelos e, por esse motivo, não teve sua desvalorização medida.
O BYD Dolphin, assim como o Tera, ainda não completou três anos de mercado e, portanto, também não possui dados históricos de depreciação disponíveis para a metodologia.
Outros dois modelos da lista também exigiram observação da consultoria: Fiat Pulse e Fastback completaram três anos de mercado em fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, respectivamente. Por isso, a base de cálculo para ambos os SUVs da marca italiana começa especificamente nessas datas.
Giro rápido: os carros que não param no estoque
Além de perderem pouco valor de mercado — ou até se valorizarem com o tempo —, os seminovos mais populares do Brasil também costumam ter excelente liquidez, virando dinheiro rápido na mão do proprietário.
Para calcular o giro de estoque dos veículos, a Indicata utiliza o MDS (Market Days Supply), indicador que mostra por quantos dias o estoque atual de um modelo seria suficiente para atender à demanda do mercado se nenhuma outra unidade entrasse à venda.
Em média, os modelos analisados (com exceção de Dolphin e Tera) apresentam um MDS de 59,27 dias. Os líderes de mercado estão bem abaixo dessa média, o que prova seu sucesso no mercado de usados. A Fiat Strada registra MDS de 57 dias, enquanto o VW Polo tem índice de 55 dias. Já Chevrolet Onix e VW T-Cross apresentam MDS de 61 e 63 dias, respectivamente.
Com MDS de apenas 53 dias, Fiat Argo e Fiat Fastback aparecem empatados com os menores índices do ranking, sendo os carros que passam menos tempo parados nos pátios das lojas. Na direção oposta, a Toyota Hilux apresentou o pior resultado de liquidez entre os veículos analisados, com estoque suficiente para 71 dias de vendas.
Os números provam que os carros mais vendidos do País não apenas preservam o patrimônio do dono melhor do que muitos modelos premium, como também continuam sendo os seminovos mais fáceis e rápidos de negociar no mercado brasileiro.