Os carros da influenciadora Deolane Bezerra apreendidos pela polícia após a prisão dela nesta quinta-feira, 21, chamaram atenção pela exclusividade. Um deles, um Cadillac Escalade, sequer é vendido no Brasil, e foi importado de forma independente por ela. Por isso, o veículo estava sujeito a diversos impostos.
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A Cadillac não vende carros no Brasil, mas tem planos de chegar ao País no fim deste ano. A norte-americana irá oferecer apenas carros elétricos no mercado brasileiro.
O SUV de luxo de Deolane foi apreendido junto com um Mercedes-Benz G63, um Range Rover e um Jeep Commander.
Segundo importadores, o carro custa cerca de R$ 2,1 milhões para ser trazido para o Brasil. Não há informações sobre se Deolane fez a compra nos Estados Unidos, ou se adquiriu o Cadillac seminovo já em território nacional.
O Escalade é considerado o modelo principal da Cadillac, e é equipado com motor V8 com 6.2 litros e 691 cv de potência, além de 89,9 kgfm de torque. O SUV tem tração nas quatro rodas, câmbio automático de 10 marchas e rodas de 22 polegadas.
O painel possui tela de 55 polegadas, que se estende por toda a cabine. No interior, o carro tem acabamento em madeira, couro e outros materiais nobres.
Para trazer um veículo como esse para o Brasil, é preciso fazer importação de forma independente, que permite que pessoas e empresas tragam carros ao país sem depender dos fabricantes. No entanto, há algumas condições e exigências da legislação.
Como importar um carro para o Brasil?
O Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), instituído pela Lei nº 14.902, de 27 de junho de 2024, é a política industrial do setor automotivo brasileiro, e também estabelece regras de importação. Pessoas físicas e jurídicas podem realizar a importação, desde que seja para uso próprio. Há empresas especializadas em prestar consultoria nesses trâmites, cuja burocracia é extensa e pode custar caro.
Alguns passos envolvem escolher o veículo, e verificar se ele se enquadra no critério de “novo”. O carro não pode ter alta quilometragem, mas a lei não determina um limite. Na prática, cerca de 300 km é o valor aceito pela alfândega. Em alguns países, o carro é emplacado ainda na fábrica, o que pode dificultar o processo.
- Depois, é necessário apresentar documentos que comprovam a compatibilidade renda do CPF com a compra, no caso do processo passar pelos dados do cliente final.
- Outra exigência é que o Ibama deve ser consultado para emitir a Licença de Importação. Se o veículo não atender às regras de emissões e de ruído, pode ser barrado nessa etapa.
- A burocracia continua com o Denatran. O órgão precisa emitir o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), que atesta que o veículo está de acordo com as normas brasileiras.
- Posteriormente, ainda é preciso registrar a Declaração de Importação no Sistema de Comércio Exterior. O sistema é ligado à Receita Federal e reúne informações sobre todos os processos de exportação e importação.
Proprietário paga muitos impostos
Se o carro estiver pronto no país de origem, o processo pode levar até 90 dias. Além de toda a documentação, a importação independente envolve muitas taxas. Também há o custo de transporte para o Brasil, com embarque no país de origem, envio em navio cargueiro e desembarque.
Ao somar o imposto de importação, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ICMS, taxas aduaneiras e custos de documentação, é comum que o preço do veículo dobre
Com tudo regularizado, o veículo é registrado para emplacamento no Detran, como qualquer outro carro.