O Ford Escort está de volta por meio da empresa britânica de engenharia Boreham Motorworks. O "continumod" é mais do que uma simples homenagem: trata-se de um projeto licenciado pela própria Ford que preserva as características do sedã original, ao mesmo tempo em que o atualiza com novas tecnologias.
O termo "continumod" combina os conceitos de produção continuada (continuation) e modernização (restomod), resultando em um clássico recriado com técnicas e componentes contemporâneos.
Vale lembrar que o modelo havia sido apresentado em 2024. No entanto, apenas agora a versão de produção foi mostrada pela Boreham Motorworks.
Segundo a própria marca do Oval Azul, este é "o primeiro Ford Escort Mk1 novinho em mais de 50 anos". A produção do modelo deve começar nos próximos meses.
Visual do novo Escort
Visualmente, é fácil notar que a intenção da Boreham foi respeitar algumas características clássicas da primeira geração do Escort, mas trazendo uma roupagem moderna.
Os faróis, por exemplo, são de LED e retangulares, substituindo o formato circular do modelo original. A grade, o desenho da carroceria e as lanternas traseiras, no entanto, permanecem muito próximos dos encontrados no clássico dos anos 1970.
Para se manter fiel ao original, a Boreham recriou digitalmente a carroceria e utilizou simulações computacionais para aprimorar a dirigibilidade, adicionando reforços estruturais e alargando os arcos das rodas.
Aliás, caso você não esteja reconhecendo o Escort nacional, não estranhe. Este modelo é baseado na primeira geração do carro, lançada na Europa em 1967. No Brasil, o Escort só chegou em sua terceira geração, tornando-se o primeiro carro mundial da Ford fabricado no país.
Conjunto mecânico
Além da atualização visual, o novo Escort RS também ganhou novas opções de motorização. A primeira — e talvez a mais aguardada — é o Ten-K, um motor 2.2 aspirado de quatro cilindros.
Compacto, o Ten-K pesa apenas 85 kg, o que contribui para o baixíssimo peso do Escort RS, de apenas 895 kg. Ao mesmo tempo, entrega expressivos 326 cv e 21,4 kgfm de torque.
Já a segunda motorização aposta em uma releitura moderna do clássico Twin-Cam. Trata-se de uma evolução do motor original, que teve sua cilindrada ampliada de 1.558 cm³ para 1.845 cm³. Ele também substitui o antigo par de carburadores Weber por um sistema de injeção eletrônica.
O resultado é um salto de potência de 73 cv para 183 cv. Essa versão também recebeu um câmbio manual original de quatro marchas com relações curtas e engrenagens de dentes retos, favorecendo trocas mais precisas.
Além dos motores, o Escort ganhou um novo eixo traseiro fabricado em alumínio e titânio. Os amortecedores traseiros também deixaram a posição inclinada original e passaram a adotar uma configuração vertical mais convencional.
A suspensão coilover e o diferencial autoblocante com ajuste de torque são responsáveis por parte do comportamento esportivo do modelo, oferecendo um sobresterço descrito pela fabricante como "controlável e previsível".
Por outro lado, recursos mais modernos, como direção assistida, freios ABS e controle de tração, foram deliberadamente deixados de fora para preservar a experiência de condução do modelo original.
Interior do novo Ford Escort RS
Na cabine, os clientes poderão escolher entre bancos do tipo concha revestidos em couro ou Alcantara. O toque clássico aparece no volante de três raios e nos seis mostradores analógicos do painel. Há também uma central multimídia discreta, com aparência inspirada em rádios toca-fitas, além de um sistema de ar-condicionado com comandos analógicos.
O continumod do Ford Escort RS Mk1 tem preço inicial de 295 mil libras, valor que supera os R$ 2 milhões na cotação atual. A produção será limitada a apenas 150 unidades. A Boreham já planeja para o futuro uma releitura do Ford RS200, ícone dos ralis, seguindo a mesma filosofia aplicada ao Escort.