O carro mais icônico da Volkswagen acaba de completar 76 anos de história no Brasil. Neste 20 de janeiro, comemora-se o Dia do Fusca, o modelo em formato de besouro que conquistou gerações de brasileiros pela durabilidade, simplicidade mecânica e preço acessível. Para marcar a data, o Jornal do Carro reuniu as principais dicas de manutenção para quem quer manter o clássico em dia.
História do Fusca
Antes de entrar nas recomendações, vale contextualizar a importância do modelo para a indústria automotiva brasileira.
O Volkswagen Fusca chegou ao Brasil em 1950, mas teve a produção iniciada oficialmente pela marca apenas em 1959. Foi a partir daí, há 67 anos, que começou a trajetória de um dos carros mais produzidos do País, com mais de 3 milhões de unidades fabricadas em território nacional.
O modelo teve dois períodos de produção no Brasil. O primeiro durou de 1959 a 1986, quando saiu de linha para dar lugar ao então recém-lançado Gol. Anos depois, a pedido do então presidente Itamar Franco, a Volkswagen retomou a fabricação do Fusca em 1993, em uma versão mais simples e acessível — conhecida como "Fusca Itamar" —, que permaneceu em linha até 1996.
A durabilidade do carro é amplamente reconhecida. Levantamento da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) indica que cerca de 1,9 milhão das unidades vendidas ainda estão em circulação no País.
E os dados só deixam o Fusca ainda mais importante no cenário nacional. Segundo a Fenauto (Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores), responsável pelas vendas de carros usados, registrou o comércio de 58.696 Fuscas em 2025.
No mesmo período, a título de comparação com carros novos, o Nissan Kicks 0 km vendeu menos que o Fusca: foram 58.388 unidades comercializadas do SUV japonês.
Mesmo fora de linha há quase três décadas, o Fusca segue presente em encontros, clubes e coleções particulares, exigindo atenção específica à manutenção para preservar o funcionamento correto e as características originais.
Apesar da fama de robustez e da mecânica simples, muitos Fuscas — especialmente os mais antigos — rodam pouco ou ficam longos períodos parados. Nessas condições, alguns sistemas tendem a apresentar falhas. Ainda assim, colocar o "Fusquinha" de volta à ativa não é um desafio complexo: com inspeções regulares e alguns cuidados básicos, é possível evitar desgastes e riscos.
O Jornal do Carro consultou Alexandre Dias, diretor do Guia Norte Auto Center, e Hiromori Mori, consultor de Assistência Técnica da NGK do Brasil, fabricante de velas de ignição utilizadas em veículos clássicos. Confira abaixo os cuidados recomendados — válidos para o Fusca e também para outros modelos da mesma época:
- Utilizar velas de ignição corretas, respeitando as especificações originais do motor, como grau térmico e aplicação adequada.
- Realizar inspeções periódicas das velas, mesmo em carros que rodam pouco, observando sinais de desgaste, carbonização ou oxidação.
- Verificar o estado dos cabos de ignição, garantindo bom isolamento elétrico e evitando fuga de corrente.
- Checar outros componentes do sistema de ignição, como platinado, rotor, bobina, diafragma do avanço a vácuo, avanço dinâmico e folga no eixo do distribuidor, que exigem regulagens e mão de obra especializada.
- Manter o sistema de ignição sempre bem regulado, contribuindo para uma queima mais eficiente da mistura ar/combustível.
- Evitar peças de procedência duvidosa, que podem comprometer o funcionamento do motor e a integridade dos componentes originais.
- Atentar ao envelhecimento do combustível, comum em veículos pouco utilizados; sempre que possível, o ideal é usar o carro com regularidade ou adotar procedimentos específicos para longos períodos parado, com orientação de um mecânico.
Segundo Hiromori Mori, a manutenção preventiva é ainda mais relevante em carros clássicos. Ele destaca que motores carburados tendem a gerar maior carbonização das velas por trabalharem com mistura mais rica, o que exige regulagem adequada e acompanhamento técnico mais cuidadoso.
Suspensão exige atenção especial
Além da ignição, o Fusca demanda cuidados mecânicos bastante específicos, especialmente na suspensão e na parte elétrica. Diferentemente dos carros modernos, o modelo utiliza suspensão com feixe de molas, formada por lâminas de aço, que precisam de lubrificação periódica com graxa, feita por meio de engraxadeiras próprias. A falta desse procedimento deixa o carro mais duro e acelera o desgaste do conjunto.
Na traseira, outro ponto exclusivo é a regulagem do chamado "facão", responsável pela altura do carro e pelo alinhamento das rodas. O ajuste correto exige uma ferramenta específica — conhecida como goniômetro — e é fundamental para evitar instabilidade e desgaste irregular dos pneus.
Há ainda diferenças importantes no sistema elétrico, já que Fuscas mais antigos operam com 6 volts, e não 12 volts como os carros atuais. Isso exige atenção especial na substituição de componentes. Nos freios, versões mais antigas utilizam lona nas quatro rodas, enquanto modelos mais novos combinam disco dianteiro e lona traseira, sempre com necessidade de regulagem periódica.