Os carros chineses subirão de 10% para 18% de participação no mercado brasileiro até 2030. A previsão é da Bright Consulting e foi apresentada pelo consultor automotivo Murilo Briganti na coletiva de balanço de 2025 da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores). No caminho oposto, os carros europeus cairão de 48% para 42%.
Japonesas e coreanas são blindadas pelos híbridos
De acordo com os estudos da Bright, as marcas americanas (Chevrolet, Jeep, Ford e Ram) perderão apenas 1% e as asiáticas tradicionais (Toyota, Honda, Nissan, Hyundai etc.) estarão “blindadas” devido ao domínio das tecnologias híbridas não plugáveis. O risco maior está com as europeias (Fiat, Volkswagen, Renault, Citroën, Peugeot, BMW etc.).
Isso porque outra parte da previsão aponta os carros híbridos não plugáveis (plenos e leves; HEV e MHEV) como dominantes em 2030, com 51,4% de participação. Os híbridos plug-in serão 12,8% e os elétricos puros serão 8%. Ainda haverá 27,8% de carros a combustão sem nenhum nível de eletrificação – mas a queda será brutal, pois hoje somam 89% das vendas.
Apesar de destacar que “o futuro será eclético”, com a adoção de diferentes tecnologias, Briganti acrescentou que a redução do preço das baterias vai provocar uma expansão no segmento de carros compactos puramente elétricos, na faixa de 300 a 400 km de alcance.
Invasão chinesa é muito maior fora do Brasil
A Bright apresentou também um estudo sobre a presença chinesa no mercado atual. A nível global, os carros chineses já são 25%. Mas o avanço da China em algumas regiões é muito maior do que no Brasil (10%).
Já existe “domínio chinês” em três países da América do Sul: Equador (36%), Peru (33%) e Chile (30%), além do Leste da Europa (31%). A consultoria considera que existe “crescimento chinês” na Bolívia (21%), Austrália (17%), México (16%) e na África (15%).
O Brasil está no grupo de países ou regiões em que os chineses ainda estão no processo de “entrada”, com baixa participação de mercado. Acima do Brasil está a Colômbia (12%); abaixo estão o Sul da Ásia (6%), a Europa Central (5%) e a Europa Ocidental (5%). A Argentina, com apenas 2%, tem uma presença chinesa considerada “incipiente”.
Custo das baterias está despencando
De acordo com a Bright Consulting, nos últimos cinco anos o custo de kWh das baterias despencou de US$ 165 para US$ 100. Isso fará com que haja uma paridade de custos entre o carro elétrico e o carro a combustão já em meados de 2026.
A bateria corresponde a 40% do custo do carro, por isso o segmento mais promissor para os BEVs é o de compactos, que podem receber baterias com capacidade para rodar 300 a 400 km com uma carga. Na China, esses carros já custam menos de US$ 10.000 (cerca de R$ 53.300).