Durante anos, a BMW operou sob uma premissa quase dogmática: o cliente preocupado com o preço não era o seu cliente. Alguém que procurasse uma moto adventure grande e barata não acabaria comprando uma GS, então não havia perigo real em compartilhar tecnologia já amortizada.
Essa confiança é precisamente o que explica por que a Voge vende mais motocicletas do que a BMW na Espanha hoje.
O erro da BMW foi acreditar que sua tecnologia amortizada não poderia se voltar contra ela
O acordo industrial que permitiu à Voge usar um motor da BMW parecia inofensivo. Não era o motor mais recente, nem o mais potente, nem o mais avançado. Era uma base familiar e confiável, já amplamente explorada pelos alemães. O que a BMW não previu foi que esse motor e chassi antigos se tornariam o coração de uma das motos adventure grandes mais vendidas no país.
A Voge 900DSX é a chave desta história. Seu motor é nada menos que o conhecido bicilíndrico paralelo de 895 cc que a BMW usava na antiga F 850 GS. Um virabrequim de 270 graus, oito válvulas por cilindro e números tão impressionantes quanto eficazes: 95 cv e 95 Nm a 8.250 e 6.250 rpm, respectivamente. Além disso, atende aos requisitos da carteira de habilitação A2. Nada experimental, nada exótico. Pelo contrário: uma receita testada e comprovada.
As dimensões internas (86 x 77 mm), a taxa de compressão (13,1:1) e a arquitetura geral são as mesmas do bloco que a BMW continua a usar na atual F 900 GS, embora, no caso da Voge, a potência seja limitada a ...
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