Tarifas de retaliação do Canadá sobre produtos dos EUA entram em vigor nesta terça-feira

As tarifas, de 15%, 25% e 50%, afetam quase US$ 20 bilhões em importações americanas, incluindo aço, laticínios, produtos eletrônicos e celulose

8 set 2026 - 08h31
(atualizado às 08h47)
Resumo
O Canadá iniciou a cobrança de tarifas de 15% a 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos dos EUA, em retaliação às taxas de 50% impostas por Washington. O conflito escalou após o premiê Mark Carney romper as negociações bilaterais, acusando os EUA de buscarem um acordo injusto. Em resposta, Donald Trump ameaçou a fabricante Bombardier e o setor automotivo, além de ironizar o país vizinho. Carney liberou US$ 5,4 bilhões em apoio às empresas locais diante do risco da dependência comercial dos EUA.
Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney
Donald Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney
Foto: Evelyn Hockstein - Pool/Getty Images

As tarifas impostas pelo Canadá sobre produtos dos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira, 8. A medida é uma retaliação às taxas impostas por Washington no fim de agosto, em meio à intensificação da guerra comercial entre os dois países.

As tarifas, de 15%, 25% e 50%, afetam quase US$ 20 bilhões em importações americanas, incluindo aço, laticínios, produtos eletrônicos e celulose. O Canadá afirmou que o valor corresponde exatamente ao dos produtos canadenses afetados, desde 22 de agosto, pelas taxas americanas de 50%.

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O conflito comercial entre os dois países ganhou uma nova dimensão desde a ruptura, em 21 de agosto, das negociações com a Casa Branca pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney.

O premiê acusou o governo americano de tentar impor ao Canadá um "acordo ruim", com "condições injustas", e de ter como objetivo transformar o país em uma "filial" dos EUA e "destruir" sua indústria, em particular a automotiva.

Carney também justificou sua postura pelas exigências feitas por Washington em relação à língua francesa, um tema politicamente sensível no Canadá. Segundo o primeiro-ministro, o projeto de acordo colocava em questão o espaço dos veículos de comunicação em francês na internet e a exigência de etiquetas bilíngues nos produtos vendidos no país. A Casa Branca negou a acusação e afirmou que não transformou o tema em uma "linha vermelha".

Críticas

A retomada das negociações não está sobre a mesa, e a troca de críticas entre os dois governos não parou nas últimas duas semanas.

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Na segunda-feira, 7, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar as vendas da fabricante aeronáutica canadense Bombardier, antes da entrada em vigor da resposta canadense.

"Chega de vender aeronaves Bombardier nos EUA", escreveu Trump em uma publicação na Truth Social. "Compre produtos americanos. Voe em aviões americanos. Aprecie bebidas americanas."

Os secretários americanos do Tesouro, Scott Bessent, e da Defesa, Pete Hegseth, ironizaram o Exército do Canadá e colocaram em dúvida a capacidade de defesa do país.

"Não estamos em guerra com o Canadá. Como poderíamos estar em guerra com o Canadá? Eles vão pegar seus dois submarinos do shopping de Edmonton e lançá-los contra nós?", zombou Bessent, ao mencionar uma atração que funcionou no passado no oeste do Canadá.

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Carney classificou os comentários como "indignos" e instou o governo americano a parar com os "memes" e deixar de "fazer pose de durão". "Não é construtivo, mas é a democracia deles", disse o premiê.

Trump assinou um decreto para mudar o nome do lago Ontário, cujas águas são compartilhadas pelos dois países, para "lago América". A medida provocou uma onda de protestos no Canadá.

O republicano também ameaçou a indústria automotiva, setor crucial para o Canadá, com um aumento das tarifas de 25% para 50% a partir de 1º de janeiro.

Apoiado pela opinião pública canadense, Carney faz uma aposta economicamente arriscada, já que o Canadá depende em grande medida do vizinho. Quase 60% das importações do país vêm dos EUA, enquanto cerca de 70% de suas exportações têm como destino o mercado americano.

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Para ajudar os setores afetados, o governo liberou US$ 5,4 bilhões para apoiar às empresas./Com informações da AFP

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