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Vorcaro diz que doação as campanhas de Bolsonaro e Tarcísio foi propina negociada com Kassab, diz site

Fala aconteceu em proposta de delação; defesa de envolvidos negam participação

3 set 2026 - 19h13
(atualizado às 19h49)
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Vorcaro considerou as doações como 'contrapartidas financeiras'
Vorcaro considerou as doações como 'contrapartidas financeiras'
Foto: CartaCapital

Em proposta de delação premiada, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirma que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao governo de São Paulo, e Jair Bolsonaro (PL), à Presidência da República, nas eleições de 2022 têm origem em negociação de propina, segundo informações reveladas pelo UOL

Desse total, Tarcísio ficou com R$ 2 milhões e Bolsonaro R$ 3 milhões em doações de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e um dos investigados na operação Compliance Zero.

De acordo com o anexo da delação, que o UOL teve acesso, Vorcaro considerou as doações como “contrapartidas financeiras” pagas após um "ajuste indevido com Gilberto Kassab [presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio] para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio". 

Esse relato de Vorcaro estão em delações negadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

No fim de agosto, o ex-banqueiro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF). Porém, a proposta de delação foi negada pela terceira vez, sob a justificativa de ausência de fatos novos.

O depoimento do ex-banqueiro ocorreu na última quinta-feira, 27, na penitenciária da Papudinha, onde ele está preso, e foi tomado por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. A oitiva foi acompanhada por dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de integrante do Ministério Público.

O que diz Kassab e Tarcísio

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirma, em nota, que em 2022 não apoiou Bolsonaro e que o relato de Vorcaro é "absolutamente fantasioso", a qual "refuta com veemência". Além disso, ele diz  que nunca tratou de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro.

"Não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta", afirma. "Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual."

Já o governador Tarcísio de Freitas diz, também em nota, que nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado pela reportagem. Ele afirma que sua campanha em 2022 "contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral."

Além disso, o político diz não possuir qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não ter conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. "A prestação de contas foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral", relata.

Já sobre a participação de instituições no sistema estadual de consignações, ele explica que ocorre por meio de credenciamento público, regulamentado há mais de dez anos pelo Decreto nº 60.435/2014 e normas correlatas. "Atualmente, mais de uma centena de instituições estão habilitadas a operar esse serviço no Estado."

No caso específico da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, "o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto, na gestão anterior, conforme as regras vigentes, tendo a suspensão das suas operações em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições", afirma.

"Esse credenciamento não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos. Trata-se exclusivamente de uma habilitação que permite aos servidores escolher livremente, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual desejam realizar operações consignadas."

O Terra busca contato com a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

Fonte: Portal Terra
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