Justiça Federal suspende licenças da mina da Sigma Lithium em Minas Gerais

6 set 2026 - 12h54
Resumo
A Justiça Federal suspendeu as licenças ambientais e as operações da mineradora Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, em Minas Gerais. A decisão atende a uma ação de comunidades quilombolas, já que o empreendimento atinge a área de influência do território tradicional de Baú sem a devida consulta prévia. Apontando riscos por detonações a menos de 3 km do local, a Justiça proibiu a concessão de novas licenças e fixou multa caso as atividades continuem. Uma perícia determinará a distância exata.

Um ‌juiz federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e das atividades de mineração da Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, conforme revelou uma decisão à qual a Reuters teve acesso.

A decisão foi tomada na ⁠sexta-feira em uma ação civil movida pela Federação das Comunidades ‌Quilombolas do Estado de Minas Gerais, na qual o grupo alegou que o projeto da mineradora se situava ‌na área de influência direta ‌da Comunidade Quilombola de Baú.

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Os quilombolas são comunidades tradicionais ⁠de ascendência africana, formadas por pessoas que escaparam da escravidão. Seus territórios são protegidos pelo Estado, e o processo de licenciamento é mais abrangente para projetos que possam afetá-los.

O juiz Antônio Lúcio Tulio de Oliveira Barbosa afirmou ‌que havia provas suficientes de que o território de Baú ‌se encontrava na área ⁠de influência ⁠do projeto, o que aciona a obrigação de procedimentos que incluem ⁠uma consulta livre, prévia ‌e informada com a ‌comunidade.

O juiz afirmou que havia risco de dano à comunidade, uma vez que o complexo de mineração da Sigma realizava "constantes detonações de explosivos e movimentação de ⁠terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional".

O juiz citou estudos que indicam que o território fica a cerca de 2,7km da área diretamente afetada pelo projeto, bem dentro do limite ‌de 8km que aciona o processo mais abrangente.

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A Sigma argumentou que o projeto se encontra fora da zona de ⁠impacto. O tribunal ordenou uma análise por um perito independente em georreferenciamento para determinar a distância exata entre o projeto e o território quilombola.

Além de suspender as licenças ambientais, a decisão proíbe o Estado de Minas Gerais de conceder novas licenças e estabelece uma multa para a Sigma caso ela continue suas operações.

A mina, único ativo produtivo da Sigma, tem capacidade nominal de 330.000 toneladas de concentrado de óxido de lítio por ano.

A Sigma não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.

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