Pedreiro que se defendeu sozinho em tribunal ganha bolsa para estudar Direito: 'Vale a pena investir'
Edilson Takahara, de 49 anos, havia dito que não pretendia cursar a faculdade; após receber bolsa integral, decidiu iniciar o curso
O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, ainda tenta entender a dimensão da repercussão de uma história que começou com uma necessidade e acabou mudando seus planos para o futuro. Depois de surpreender juízes ao assumir a própria defesa em uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), em Manaus, ele recebeu uma bolsa integral para cursar Direito e decidiu aceitar o desafio.
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Edilson havia sido convidado para conversar com estudantes de Direito da Famec, em Manaus, sobre a experiência de defender o próprio caso diante da Justiça. Ao fim do encontro, foi surpreendido com a proposta de estudar na instituição.
A novidade representa uma mudança de planos para o pedreiro. Em entrevista anterior ao Terra, Edilson disse que não pretendia estudar Direito. A ideia, segundo ele, estava muito associada à possibilidade de exercer a advocacia, carreira que não fazia parte de seus planos. No entanto, a conversa com os estudantes fez com que ele enxergasse outras possibilidades.
"Eu falei que não ia estudar e depois decidi estudar. Na verdade, foi uma mudança de pensamento na mesa de proposta, quando me falaram da bolsa integral e eu conversei com os alunos de Direito", contou ao Terra ao compartilhar a novidade.
Segundo Edilson, foi justamente uma conversa sobre as diferentes possibilidades profissionais abertas pelo curso que o fez reconsiderar a decisão. "Eu estava com a mente muito fechada, pensando que estudar Direito seria para exercer a advocacia, apenas isso. E alguém tocou nesse assunto, falando que não necessariamente quem estuda Direito vai ser advogado. Pode se tornar um delegado, pode se tornar um juiz... Então, eu acabei percebendo que vale a pena sim investir no estudo do Direito", afirmou.
Começo das aulas é imediato
A mudança não ficou apenas no plano das ideias. Edilson conta que já fez o processo seletivo da faculdade, enviou a documentação e começou as aulas nesta quinta-feira, 3.
O curso será presencial, no período noturno. Para conseguir conciliar a faculdade com o trabalho na construção civil, ele pretende reduzir a jornada de trabalho.
"O início vai ser hoje. O curso é presencial e já vou iniciar hoje. Eu fiz o vestibular, que é uma redação, e já aprovaram. Mandei os documentos e às 7 horas e já estou por lá", disse em entrevista nesta quinta-feira, 3.
A rotina, no entanto, deverá exigir organização. Além do trabalho e das aulas, Edilson terá de lidar com os deslocamentos em Manaus, que podem ser longos.
"Eu agora sou obrigado a organizar o meu dia a dia e, a não ser que surja alguma grande oportunidade, alguma grande proposta, a ideia minha é conciliar o trabalho que eu faço normalmente. Eu vou ter que reduzir o horário só. Porque, dependendo do lugar aqui em Manaus, fica longe, e as aulas são a partir das 7 da noite".
'Ainda é uma surpresa'
A bolsa de estudos é mais um capítulo de uma repercussão que Edilson diz ainda estar tentando assimilar. O episódio ganhou grande atenção nas redes sociais e também será exibido no Domingo Espetacular, da Record. Para ele, a exposição ainda é recente demais para que consiga dimensionar o que pode acontecer daqui para frente.
"Ainda é uma surpresa. Ainda está na primeira semana e a gente fica meio em choque. Às vezes tenho crises de riso, fico meio sem acreditar. Mas acredito que depois de ir ao ar no Domingo Espetacular, pode vir uma segunda onda".
Apesar dos convites e das novas oportunidades, o pedreiro afirma que prefere manter os pés no chão. "Estou me preparando para o que pode vir a acontecer, mas sem muita empolgação".
"Falaram de apoio financeiro e realmente precisa, mas eu ainda preciso me adaptar e aprender a lidar com isso. Administrar tudo certinho para não virar bagunça. Para não tirar o pé do chão".
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