Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Simone Mendes é processada em R$ 1,3 mi por músico do Tihuana após desabamento

Processo envolve danos materiais e morais; perícia produzida em ação ajuizada pela própria cantora acabou apresentando conclusão desfavorável a ela

2 set 2026 - 08h04
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
A cantora Simone Mendes enfrenta um processo de R$ 1,3 milhão movido por Léo Stuart, guitarrista do Tihuana, após o muro de uma obra em sua casa desabar e atingir a propriedade do músico em Barueri. A ação pede reparos e indenizações por prejuízos materiais e morais. Uma perícia judicial solicitada inicialmente pela cantora concluiu que sua obra não tinha drenagem adequada, servindo de base para a acusação. A Justiça ordenou a restauração dos danos, mas o processo ainda segue em andamento.
Simone Mendes é processada em R$ 1,3 mi por músico do Tihuana após desabamento
Simone Mendes é processada em R$ 1,3 mi por músico do Tihuana após desabamento
Foto: The Music Journal

Simone Mendes enfrenta uma disputa judicial de R$ 1,3 milhão após um desabamento atingir a residência de Léo Stuart, guitarrista da banda Tihuana, em Barueri, na Grande São Paulo. O processo foi ajuizado pela Black Diamond Holding, empresa representada pelo músico, e reúne pedidos de indenização, reparos e reconstrução das estruturas danificadas.

Documentos obtidos com exclusividade pela coluna Daniel Nascimento, do jornal O Dia, mostram que a disputa envolve ainda uma situação incomum: uma perícia judicial produzida em uma ação ajuizada pela própria Simone passou a ser utilizada pela parte contrária para sustentar as acusações contra a cantora.

Entre os pedidos apresentados na ação estão o ressarcimento por danos materiais e R$ 1 milhão por danos morais. Os valores ainda dependem de análise da Justiça e não representam uma condenação definitiva de Simone.

O episódio que deu origem ao processo aconteceu em 6 de novembro de 2024, durante fortes chuvas em São Paulo. Segundo Léo, um muro relacionado à obra realizada no imóvel da cantora cedeu e uma grande quantidade de água, lama e entulhos avançou sobre sua residência.

Os advogados do músico sustentam que os responsáveis pela obra teriam conhecimento de problemas relacionados à drenagem e ao escoamento de águas pluviais e, mesmo assim, teriam dado continuidade aos trabalhos.

Léo afirma que mensagens e e-mails trocados entre representantes da obra e a administração do condomínio demonstrariam que a questão já era conhecida antes do desabamento.

O marido de Simone também é mencionado nos autos. Segundo a versão apresentada pelo músico, ele teria relatado a uma advogada amiga de Léo que havia enviado diversos e-mails ao condomínio tratando da falta de drenagem.

A administração do residencial também é citada nas alegações. Os representantes de Léo sustentam que o condomínio teria conhecimento do problema e, ainda assim, permitido a continuidade da obra.

As afirmações sobre o conhecimento prévio dos problemas de drenagem são alegações apresentadas pela parte autora e ainda estão sendo discutidas judicialmente.

Piano de R$ 400 mil e outros prejuízos

Léo relata uma série de prejuízos provocados pela invasão de água, lama e entulhos em sua propriedade.

Entre os bens atingidos estaria um piano avaliado pelo músico em aproximadamente R$ 400 mil. Os danos também teriam alcançado o pomar, a piscina e o lago de carpas da residência.

Uma das carpas de estimação do guitarrista teria morrido depois que o lago foi atingido. O sistema de abastecimento de água da propriedade também teria sido danificado.

O valor total dos prejuízos materiais ainda deverá ser apurado no processo.

Léo também anexou documentos financeiros aos autos para sustentar o argumento de que não estaria buscando vantagem econômica com a ação e que uma eventual indenização não alteraria seu padrão de vida.

Seus advogados afirmam que, depois do "pavor" vivido com o desabamento, o músico adquiriu outros dois lotes para construir uma nova residência. Segundo eles, cerca de R$ 2 milhões teriam sido desembolsados somente por um dos terrenos.

Os representantes do guitarrista sustentam ainda que continuar vivendo na residência atingida teria se tornado "sinônimo de tristeza e medo" para Léo e sua família.

Perícia pedida por Simone passou a ser usada contra ela

Um dos pontos que mais chamam atenção no processo envolve justamente uma prova técnica produzida após uma iniciativa judicial da própria Simone.

Em dezembro de 2024, pouco mais de um mês depois do desabamento, a cantora ajuizou uma ação de produção antecipada de provas para preservar vestígios e obter elementos técnicos sobre as causas do episódio.

Segundo Léo, a iniciativa teria sido uma tentativa de atribuir a ele a responsabilidade pelo ocorrido. Simone também apresentou um laudo particular que apontava problemas estruturais e ausência de drenagem no muro da propriedade do músico.

Léo contestou essa versão. Ele argumentou que sua residência, adquirida do "Comandante Hamilton" e construída havia mais de 25 anos, já havia enfrentado diversas tempestades sem registrar problema semelhante.

Na versão apresentada pelo guitarrista, o desabamento ocorreu somente depois do desmatamento e do início das obras no terreno de Simone, que teriam sido executadas sem drenagem e escoamento adequados.

A perícia judicial produzida no processo, porém, apresentou conclusão desfavorável à cantora.

O engenheiro Walmir Pereira Modotti apontou que o muro construído no imóvel de Simone não possuía sistema de drenagem nem estrutura adequada para suportar esforços horizontais.

Segundo a análise técnica, com o solo saturado pelas chuvas, a estrutura teria funcionado como uma espécie de "barragem", pressionando o muro da propriedade de Léo até o colapso.

O resultado passou então a ser utilizado pelos advogados do músico na disputa contra Simone. Nos autos, eles sustentam que a perícia "ratificou o que já se sabia".

As conclusões técnicas também foram mencionadas posteriormente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo ao analisar o caso. O TJ-SP relacionou o colapso à falta de estrutura de suporte no muro construído no imóvel da cantora e à ausência de drenagem.

A conclusão da perícia, contudo, diz respeito às causas técnicas do desabamento e não representa, por si só, uma condenação definitiva de Simone ao pagamento das indenizações reivindicadas.

Justiça determinou reparos

A disputa também resultou em uma decisão de urgência contra Simone. A Justiça determinou a paralisação da obra, a reconstrução dos muros e a restauração das partes danificadas da propriedade de Léo.

O prazo estabelecido para a realização dos reparos foi de 30 dias úteis, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 200 mil.

Simone recorreu da decisão, mas não conseguiu revertê-la no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em abril de 2026, a 36ª Câmara de Direito Privado manteve a determinação por unanimidade.

A cantora continuou recorrendo. Mais recentemente, sua defesa apresentou um Recurso Especial, buscando levar a discussão ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Apesar das decisões desfavoráveis nesta etapa do processo, Simone ainda não foi condenada definitivamente ao pagamento do R$ 1 milhão pedido por danos morais. A ação de R$ 1,3 milhão continua em andamento.

Também não há, até o momento, conclusão judicial definitiva estabelecendo que Simone, seu marido, representantes da obra ou a administração do condomínio já tinham conhecimento dos problemas de drenagem antes do desabamento. Essa é uma das alegações apresentadas por Léo e seus advogados e integra a disputa entre as partes.

A coluna Daniel Nascimento procurou a assessoria de Simone Mendes para comentar o caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Reprodução/Coluna Daniel Nascimento
Reprodução/Coluna Daniel Nascimento
Foto: The Music Journal
Reprodução/Coluna Daniel Nascimento
Reprodução/Coluna Daniel Nascimento
Foto: The Music Journal
The Music Journal The Music Journal Brazil
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra