Na Creator Economy, estar conectado não é exatamente uma escolha, mas uma necessidade. De acordo com o Creator POV 2025, pesquisa exclusiva realizada pela BrandLovers com mais de 5 mil creators de todas as regiões do Brasil, 65% afirmam sentir sempre a necessidade de estar online para não perder oportunidades, como propostas de trabalho ou parcerias. Apenas 8% disseram não sentir essa pressão; o restante (28%) relatou que isso acontece às vezes.
O cenário se torna mais dramático quando observado que, além da cobrança online, os creators lidam com a dificuldade de desconectar-se para relaxar. Hoje, só 28% dos criadores conseguem desligar-se do trabalho com tranquilidade. A maioria (51%) até consegue se afastar das telas, mas com dificuldade, enquanto 20% assumem que não fazem isso nunca.
Como consequência dessa pressão constante, o bem-estar dos creators dá sinais de fragilidade. Prova disso são os dados do Creator POV que revelam que estar ansioso e inseguro é quase uma rotina na vida desses profissionais. Isso porque, quando questionados sobre a frequência com que sentem essas emoções, 47% disseram conviver com a ansiedade sempre ou frequentemente e 41% afirmaram o mesmo em relação à insegurança.
“A hiperconexão pode criar uma sensação permanente de cobrança. O criador está sempre alerta, sempre disponível, mas esse estado contínuo de vigília tem gerado um desgaste emocional que as marcas não deveriam ignorar”, analisa Rapha Avellar, CEO e fundador da BrandLovers.
Outros sinais de desgaste
A ansiedade e a insegurança podem ser as emoções mais recorrentes na rotina dos creators, mas não são as únicas. O Creator POV 2025 mostra que desânimo (32%), estresse (31%) e sensação de exaustão (25%) também fazem parte do dia a dia dos criadores, ainda que em menor escala.
Vale destacar ainda que os impactos não ficam restritos ao campo emocional, uma vez que sintomas físicos como insônia ou sono irregular (24%) surgem com alguma frequência, interferindo tanto na qualidade de vida quanto na saúde desses profissionais.
No fim, esse estado emocional pode comprometer desde a motivação criativa até a consistência das entregas — uma questão que diz respeito a todos envolvidos nas engrenagens da Creator Economy.
O alerta para as marcas
O que acontece é que o excesso de cobrança e a falta de equilíbrio têm efeitos diretos na qualidade do conteúdo, na constância da produção e na sustentabilidade das parcerias comerciais. Criadores que vivem sob pressão extrema podem entregar menos, com menor criatividade e espontaneidade, comprometendo, assim, o impacto das campanhas.
“As marcas precisam entender que o bem-estar do creator é também um ativo estratégico. Jobs alinhados ao perfil, contratos mais duradouros e maior liberdade criativa reduzem a pressão da hiperconexão. Quando o criador está em equilíbrio, a marca também ganha em consistência e relevância”, reforça Avellar.