O Grupo Latam projeta receber 41 aeronaves em 2026, acima das 26 do ano passado, segundo o CFO do grupo, Roberto Bottas. "É um plano bastante robusto", avaliou o executivo durante coletiva sobre os resultados do quarto trimestre de 2025.
Dos 41 aviões previstos para este ano, 12 devem ser do modelo E195-E2 da Embraer. A expectativa é que as aeronaves, as primeiras da fabricante brasileira a serem operadas pela Latam, sejam entregues no quarto trimestre de 2026 e entrem em operação logo na sequência.
Em setembro, a Latam assinou um acordo para aquisição de até 74 aeronaves E195-E2. O pedido inclui 24 entregas firmes, avaliadas em US$ 2,1 bilhões, e 50 opções de compra.
"Continuamos a trabalhar com este prazo de entrega para as primeiras aeronaves", reforçou o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier. Apesar de prever a adição de novos destinos domésticos com a chegada dessas aeronaves, o executivo informou que as rotas ainda não estão definidas.
"Estamos em processo de conversa com os aeroportos e Estados para entender a viabilidade para as novas rotas domésticas", afirmou.
No mercado internacional, Cadier disse que, por enquanto, não há previsão para novas rotas, após as estreias recentes. Mas informou que os destinos inaugurados recentemente, como Bruxelas e Amsterdã, têm mostrado uma curva de demanda positiva. Para o meio do ano, está prevista ainda o início da operação para a Cidade do Cabo.
Fnac
Cadier voltou a falar que a empresa vê com bons olhos o uso do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) como forma de apoiar o financiamento ao setor. Contudo, afirmou que as condições seguem em discussão, enquanto o mecanismo "não pode atender apenas uma ou duas companhias brasileiras".
Cadier disse ainda que considera factível que, após anos, as discussões sejam resolvidas até o final do primeiro semestre de 2026 para que as companhias enfim tenham acesso ao fundo. Mas avaliou que o principal desafio é criar um desenho que seja atrativo tanto para a Latam quanto para as concorrentes Gol e Azul.
"As três companhias estão em situações diferentes, têm perfis de risco e expectativas de crescimento distintos. Isso precisa ser levado em consideração", afirmou durante teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025.
Neste cenário, o CEO da Latam Brasil classificou a iniciativa como positiva, sendo uma tentativa de ajudar no financiamento das aéreas, que considera um tema crítico. Ainda assim, reforçou que o Fnac é uma política pública. "Por isso, não pode alterar dinâmica competitiva do setor".
Atrasos
O uso do fundo pelas companhias foi aprovado pelo Congresso Nacional ainda em 2024. A expectativa é de que as primeiras tomadas de crédito ocorram a partir deste ano, quando devem ser disponibilizados até R$ 4 bilhões para as companhias até o final do primeiro semestre.
As linhas incluem, além de recursos para compras de aeronaves, outras como para aquisição de combustível sustentável (SAF). As taxas de juros irão variar de 6,5% a 7,5% ao ano, abaixo das vistas no mercado.
Apesar de o governo já ter cumprido as etapas burocráticas para o uso do fundo, as empresas não conseguiram, em dois anos, catalogar ativos que atendam aos critérios de risco exigidos como garantia às operações. Ainda têm uma série de demandas de ajustes sobre as contrapartidas exigidas pelo governo para acesso aos recursos, conforme mostrou o Estadão/Broadcast.