O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira que as intervenções da instituição no mercado de câmbio estão seguindo a "orientação de sempre" e que é o Tesouro quem decide sobre as atuações no mercado de títulos públicos.
Desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou, no fim de fevereiro, o Banco Central promoveu algumas operações para minimizar os efeitos do conflito no mercado de câmbio. O BC fez em diferentes datas o "casadão" (venda de dólares à vista simultaneamente à negociação de contratos de swap reverso) e leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).
Na tarde desta quinta-feira, o BC anunciou mais dois leilões de linha.
Tradicionalmente, o BC afirma que as intervenções no mercado de câmbio ocorrem apenas para corrigir disfuncionalidades no mercado, muitas vezes em momentos como o atual, em que a guerra gerou maior volatilidade. Segundo Galípolo, essa condução do BC no mercado de câmbio tem sido elogiada.
Durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária, em Brasília, Galípolo também lembrou que as decisões sobre leilões no mercado de títulos públicos cabem ao Tesouro -- e não ao Banco Central, que apenas operacionaliza as atuações.
Na semana passada, o Tesouro decidiu realizar leilões extraordinários de títulos prefixados e indexados à inflação, para garantir a liquidez, reduzindo distorções na curva a termo brasileira.