O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos alvos da Operação Fallax, que visa desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato, lavagem de dinheiro. Fraudes que superam R$ 500 milhões, segundo a Polícia Federal.
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A ação da PF na manhã desta quarta-feira, 25, ocorre em meio ao pedido de recuperação judicial da holding, ocorrido em fevereiro. Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. Além de Góis, o ex-sócio dele, Luiz Rubini, também é alvo de buscas da Polícia Federal.
Conforme seu perfil no Linkedin, Góis fundou a Fictor em 2007, inicialmente focada em tecnologia. Ao longo do tempo, a empresa se transformou em uma holding de participação e investimentos, voltada para comercialização de commodities, indústria alimentícia, infraestrutura, energia e serviços financeiros.
O grupo tinha sede em São Paulo, com unidades comerciais espalhadas pelo país e operação internacional por meio de nossos escritórios em Lisboa, Portugal, e Miami, Estados Unidos.
O empresário é bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Candido Mendes, onde se formou em 2000, com foco em gestão estratégica, finanças e operações. Ainda segundo o perfil, o CEO do grupo está em formação como Gestão do Proprietário/Presidente na Harvard Business School.
Envolvimento com o Banco Master e recuperação judicial
De acordo com a PF, houve uma tentativa da Fictor em comprar o Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, a empresa afirmou ter fechado um acordo para a aquisição do banco de Daniel Vorcaro, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, no dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central, tendo o negócio desfeito.
A instituição protocolou, em fevereiro deste ano, um pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões. No pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, a empresa solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças das dívidas por um prazo de 180 dias.
Operação da PF
A investigação começou em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais. O grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas de fachada, inclusive vinculadas ao grupo econômico específico, para movimentar recursos ilícitos.
Segundo as autoridades, há evidências de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV), facção com origem no Rio de Janeiro.
Os criminosos estruturavam as atividades por meio da criação, em larga escala, de pessoas jurídicas fictícias, com padrões previamente definidos, tais como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único, destinadas à obtenção fraudulenta de crédito junto a instituições financeiras.
A investigação apurou que os responsáveis pelo Grupo Fictor atuavam como núcleo de sustentação financeira e operacional, papel relevante e estruturante no funcionamento da organização criminosa.
A função consistia em injetar recursos para simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, especialmente por meio do pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira. Além disso, o grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada.
Até o momento, a Fictor não se manifestou sobre o operação. A defesa Luiz Rubini e Rafael Góis também não foi localizada.