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CEO da Fictor é alvo da PF em operação sobre fraudes bancárias de meio bilhão de reais e ligação com o CV, diz jornal

Ao todo, são cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva

25 mar 2026 - 09h27
(atualizado às 10h06)
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O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos alvos da Polícia Federal nesta quarta, 25
O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos alvos da Polícia Federal nesta quarta, 25
Foto: Reprodução/Fictor

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 25, uma operação com objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias que superam R$ 500 milhões. Entre os alvos de busca e apreensão, está o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis.

Ao todo, a Operação Fallax cumpre 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva, expedidos pela Justiça Federal de São Paulo, em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia. Além de Góis, o ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também também é alvo de buscas da Polícia Federal. 

A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de imóveis, de veículos e de ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa. As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões. Ainda foram autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

Como funcionava o esquema

Conforme a PF, a investigação começou em 2024, quando foram identificados indícios de um esquema estruturado voltado à prática de fraudes bancárias e lavagem de capitais. O grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas de fachada, inclusive vinculadas a grupo econômico específico, para movimentar recursos ilícitos. 

Operação mira grupo criminoso especializado em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal,
Operação mira grupo criminoso especializado em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal,
Foto: Divulgação/Polícia Federal

As autoridades encontraram indícios de que parte desses valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV), facção com origem no Rio de Janeiro. 

Os criminosos estruturavam as atividades por meio da criação, em larga escala, de pessoas jurídicas fictícias, com padrões previamente definidos, tais como capital social simulado, objeto social genérico e sócio único, destinadas à obtenção fraudulenta de crédito junto a instituições financeiras.

A investigação aponta que a dinâmica funcionava sob o seguinte esquema:

  • Coaptação de indivíduos para cessão de dados pessoais;
  • Constituição de empresas fictícias com aparência de regularidade;
  • Elaboração de documentação contábil fraudulenta (DRE, ECF e declarações fiscais);
  • Manipulação de faturamento para simular capacidade financeira;
  • Uso de certificados digitais para operacionalização remota, reduzindo a exposição dos envolvidos;
  • Participação de gerentes bancários, responsáveis por fornecer informações privilegiadas e inserir dados falsos nos sistemas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional, cujas penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

Grupo Fictor era núcleo de sustentação do esquema, segundo a PF

A investigação apurou que os responsáveis pelo Grupo Fictor atuaram como núcleo de sustentação financeira e operacional, papel relevante e estruturante no funcionamento da organização criminosa. 

Operação mira grupo criminoso especializado em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal,
Operação mira grupo criminoso especializado em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal,
Foto: Divulgação/Polícia Federal

A função consistia em injetar recursos para simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, especialmente por meio do pagamento cruzado de boletos, criando artificialmente aparência de liquidez e saúde financeira. Além disso, o grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada.

  • Nesse contexto, a atuação da Fictor viabilizava:
  • Pagamentos cruzados para simulação de fluxo financeiro;
  • Geração artificial de faturamento;
  • Construção de histórico bancário fictício para obtenção de crédito.

Ainda segundo a PF, houve uma tentativa da instituição em comprar o Banco Master. Em 17 de novembro de 2025, a Fictor afirmou ter fechado um acordo para a aquisição do banco de Daniel Vorcaro, em conjunto com um consórcio formado por investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, no dia seguinte, o Master foi liquidado pelo Banco Central, tendo o negócio desfeito. 

O Grupo Fictor é uma companhia de participações e gestão de empresas com foco na indústria alimentícia, em serviços financeiros e em infraestrutura. Fundada em 2007, a instituição protocolou, em fevereiro deste ano, um pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest. O valor total da dívida é de R$ 4 bilhões.

No pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, a empresa solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças das dívidas por um prazo de 180 dias.

Até o momento, a Fictor não se manifestou sobre o operação. A defesa Luiz Rubini e Rafael Góis também não foi localizada. 

**Com informações do Estadão

Fonte: Portal Terra
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