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Descoberta de petróleo na Margem Equatorial pode mudar geopolítica nacional, diz Zylberstajn

Para ex-presidente da ANP, se a área da descoberta se tornar efetivamente uma província petrolífera, isso poderá ser um novo caminho de redenção econômico-social da região

14 ago 2026 - 22h22
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RIO - A descoberta de óleo no poço pioneiro Morpho, na Margem Equatorial brasileira, anunciada pela Petrobras nesta sexta-feira, 14, vai mudar a geopolítica nacional se a região virar realmente uma nova província petrolífera do País, avalia o professor do Instituto de Energia da PUC Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Zylbersztajn afirma que a incidência de petróleo no local é uma grande notícia mesmo que ainda não se saiba qual o tamanho da reserva, até porque a descoberta veio muito rápida. Ele lembra que a Exxon precisou perfurar 64 poços para encontrar petróleo na Margem Equatorial, do lado da Guiana.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

O que representa a descoberta para a Petrobras e, por consequência, para o Brasil?

Primeira coisa, representa o que é necessário para um País que produz petróleo, ou para uma empresa que produz petróleo. Para a Petrobras, é a recomposição de reservas. Uma empresa vive de produzir e recompor reservas. E o Brasil estava chegando, vamos dizer assim, numa situação mais ou menos delicada, de que as grandes reservas estavam começando a entrar em processo de decadência. O que é natural com uma exploração de um bem finito como o petróleo.

Ainda não foram informados detalhes. Como saber se realmente a descoberta é promissora?

Eu acho ótimo, mesmo sem dados, pelo seguinte: poderia não ter descoberto nada, descobrir que não tinha petróleo. A Exxon, na Guiana, só descobriu o petróleo depois de furar 64 postos. É muito bom como início. É um processo.

Se a operação crescer com a descoberta, a distância do Amapá em relação às operações da Petrobras não pode ser um obstáculo para desenvolver uma grande província petrolífera?

Não, o poço está a 175 quilômetros do Amapá e a Petrobras tem uma super base no Oiapoque. Ela já tem infraestrutura lá. Sim, é uma região nova, uma área nova, mas eu diria que, se você pegar o histórico da Petrobras, é uma empresa que passou os últimos 50 anos quebrando barreiras tecnológicas. E ali você já tem outras explorações em áreas vizinhas, nas Guianas. Sendo que a Petrobras sempre foi ponta em termos de qualidade tecnológica, de poder superar essas dificuldades. O pré-sal, por exemplo, é uma delas. Então eu acho que, se houver (obstáculo), eu não antevejo nenhuma dificuldade intransponível para a Petrobras.

O indício de óleo pode atrair outras empresas para a exploração da bacia da Foz do Amazonas?

Acho que sim. E eu acho uma coisa que é mais importante ainda, e pouco se falou, mas acho que vai ter de começar a se falar. Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região.

Estadão
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