EUA dizem 'estar à disposição' para discutir tarifaço com Brasil na OMC
Governo brasileiro acionou a organização para contestar as novas tarifas impostas por Donald Trump
Os Estados Unidos aceitaram nesta segunda-feira, 10, o pedido do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) para discutir o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Em resposta, Washington afirmou estar "à disposição" para realizar as consultas com o governo brasileiro.
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"Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil de realização de consultas. Estamos à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas", afirma o documento obtido pela GloboNews.
O Brasil recorreu à OMC para questionar duas tarifas anunciadas recentemente pela Casa Branca. Uma delas estabelece uma alíquota adicional de 25%, sob a justificativa de que o país adota práticas econômicas consideradas desleais pelos Estados Unidos em relação a empresas americanas.
A outra cobrança, de 12,5%, foi aplicada sob o argumento de que o Brasil, assim como dezenas de outros países, não teria realizado fiscalização suficiente sobre a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na solicitação apresentada à organização internacional, o governo brasileiro classificou as novas tarifas como discriminatórias e unilaterais. A avaliação é de que as medidas também desrespeitam compromissos assumidos pelos próprios Estados Unidos no âmbito da OMC.
Embora não tenha apresentado essa argumentação formalmente à entidade, o governo brasileiro vem sustentando, em declarações do chanceler Mauro Vieira e em comunicados oficiais, que a decisão americana tem motivação política. Brasília também afirma que os argumentos técnicos apresentados durante as negociações com representantes do comércio dos EUA foram desconsiderados.
O acionamento da OMC é visto por diplomatas brasileiros principalmente como uma forma de marcar posição, e não como uma medida com expectativa concreta de derrubar as tarifas americanas. Segundo integrantes da diplomacia, uma eventual decisão da organização dificilmente teria força para reverter o tarifaço.
A iniciativa também está relacionada à tradição da política externa brasileira de defesa do multilateralismo. Nesse contexto, o governo considerou importante recorrer à OMC para reafirmar a preferência pela resolução de conflitos entre países, sejam eles de natureza política, econômica ou militar, por meio de instituições internacionais.
Para diplomatas, o recurso à organização "marca posição" do Brasil diante dos Estados Unidos e formaliza a tentativa de Brasília de encontrar mecanismos que possam levar à reversão das medidas adotadas por Washington.
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