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Qual é o impacto da proibição das bets no setor imobiliário? Veja maiores locações de escritórios

Levantamento da SiiLA aponta que maior escritório é o da Betano, com aluguel anual de R$ 8,6 mi

26 set 2026 - 13h23
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Resumo
A proibição das bets pode liberar cerca de 16 mil m² de escritórios em São Paulo, gerando perda anual de R$ 22,6 milhões em aluguéis, com destaque para a Betano. Contudo, segundo a consultoria SiiLA, o impacto no setor imobiliário será irrisório. Com a vacância oscilando pouco (de 15,88% para 16,02%) e a demanda aquecida pelo retorno ao trabalho presencial, sobretudo nos setores financeiro e de tecnologia, os espaços desocupados devem ser reabsorvidos rapidamente pelo mercado.

A proibição das bets tem um impacto adicional à economia que vai além de reduzir o endividamento das famílias e a arrecadação de impostos: a desocupação de escritórios. De acordo com levantamento feito pela consultoria imobiliária SiiLA, a receita com aluguéis dos espaços locados às bets chega a R$ 22,6 milhões por ano.

No total, o estudo identificou cerca de 16 mil m² de escritórios ocupados por empresas ligadas às bets. O maior escritório é o da Betano, que tem 3,7 mil metros quadrados (m²) e aluguel anual de R$ 8,6 milhões. A Betnacional ocupa 804 m² na região da Faria Lima, ao custo anual de R$ 3,2 bilhões. Já a Novibet tem escritório com 1,9 mil m², pelo qual paga anualmente R$ 2,3 milhões na região da Avenida Chucri Zaidan.

Em uma proibição total das empresas de apostas no País, a vacância de escritórios na cidade de São Paulo passaria de 15,88% para 16,02%. Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, diz que o impacto da saída das bets pode ser considerado irrisório para o setor, uma vez que a demanda está aquecida diante de um movimento de estorno ao trabalho presencial.

Faria Lima abriga escritório de 802 m² da Betnacional, aponta SiiLA
Faria Lima abriga escritório de 802 m² da Betnacional, aponta SiiLA
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

"Fizemos um estudo recente que mostra que a taxa de vacância real de SP está em torno de 7%. Dentro dos 15,88% de vacância, temos imóveis que estão há mais de 3 anos sem ser comercializados ou que têm problemas de valor, locação ou documentação. Tirando isso da amostra, a vacância real do mercado é de 7%. Em determinadas regiões, ela é praticamente nula", afirma Nicastro, em entrevista ao Estadão.

O executivo afirma que muitas empresas não conseguiram ainda locar espaços para acomodar todos os seus funcionários depois do fim da pandemia de covid-19. Por isso, a reacomodação das locações deve ser rápida.

"O setor financeiro foi o que mais se adaptou ao home office e também são os que mais estão voltando aos escritórios. Eu não descartaria (os espaços deixados pelas bets) como uma primeira opção uma expansão de alguma fintech. Os três principais setores que alugam escritórios são financeiro, advocacia e tecnologia", diz.

Recentemente, o Itaú fechou a maior locação de escritórios da história de SP. O banco ocupará as duas torres do complexo Esther Towers, localizadas na Avenida Chucri Zaidan. O negócio vai gerar uma receita de locação estimada em R$ 1,17 bilhão em dez anos para a Eztec. Funcionários administrativos devem ir ao escritório três vezes por semana a partir do primeiro trimestre de 2028, enquanto superintendentes devem ir quatro vezes a partir de janeiro de 2027.

A desocupação dos escritórios das bets não deve ser tão imediata, levando algumas semanas ou meses para ser concluída. Existem ainda multas por rescisão de contrato, que podem ser abatidas, total ou parcialmente, pelo mobiliário deixado pelas companhias que saírem dos imóveis.

Fora de SP, as bets ocupam 2.838 m² em escritórios nas cidades de Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre e Rio de Janeiro, segundo a SiiLA.

Estadão
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