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China abre mercado para miúdos suínos exportados pelo Brasil

Abertura ocorre após conclusão de uma auditoria pelas autoridades sanitárias chinesas no sistema produtivo nacional

26 set 2026 - 19h43
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Resumo
A China autorizou a importação de miúdos suínos internos do Brasil, como rim, fígado e estômago, ampliando o comércio antes restrito a partes externas originadas de Santa Catarina. O protocolo sanitário foi assinado após auditoria chinesa e o avanço do status sanitário brasileiro. A medida beneficia frigoríficos já habilitados, permitindo ao país acessar um mercado chinês de US$ 2,6 bilhões anuais e agregar valor a subprodutos que possuem baixa demanda no mercado doméstico.

BRASÍLIA - A China abriu o seu mercado aos miúdos suínos do Brasil, apurou o Broadcast Agro. O protocolo sanitário que autoriza a exportação dos produtos brasileiros foi assinado neste sábado entre o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, e o ministro da Agricultura, André de Paula. A expectativa de abertura havia sido antecipada pela Broadcast.

A abertura ocorre após conclusão de uma auditoria pelas autoridades sanitárias chinesas no sistema produtivo nacional. Em maio, Brasil e China chegaram a entendimentos técnicos sobre requisitos para exportação de subprodutos suínos.

Agora o Certificado Sanitário Internacional foi formalizado, segundo as fontes. Os frigoríficos já habilitados à China poderão solicitar ao Ministério da Agricultura ampliação do escopo dos produtos exportados, segundo fontes técnicas.

Fábrica de processamento de suínos no Paraná
Fábrica de processamento de suínos no Paraná
Foto: Frimesa/Divulgação / Estadão

O aval contempla miúdos suínos internos, como rim, fígado e estômago - utilizados na culinária chinesa. Até então, o Brasil estava habilitado a exportar apenas miúdos suínos externos para a China, como patas e orelhas, com a liberação restrita a produtos originados em Santa Catarina.

As tratativas bilaterais para exportação de miúdos suínos se intensificaram há cerca de um ano, após missão presidencial ao país asiático. O interesse brasileiro se deve ao potencial do mercado chinês, considerado remunerador e grande consumidor de subprodutos suínos, além de se tratar de itens com baixo valor agregado no mercado doméstico.

As negociações ganharam velocidade após o Brasil ser reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) como país livre de febre aftosa sem vacinação, em junho de 2025 - status sanitário reconhecido pela China neste ano e necessário para a exportação desses itens. Em 2026, o Brasil reforçou o pleito no âmbito de medidas compensatórias para minimizar o impacto da salvaguarda à carne bovina imposta pelo país asiático.

A China importa cerca de US$ 2,6 bilhões por ano em miúdos suínos, aproximadamente 30% do total internalizado de carne suína pelo país. Em 2025, o Brasil exportou 21,5 mil toneladas de miúdos suínos externos para o mercado chinês, somando US$ 62,817 milhões. Já as importações chinesas de miúdos chegam a cerca de 100 mil toneladas por mês, ou 1,2 milhão de toneladas por ano, sobretudo do Canadá, dos Estados Unidos e da União Europeia. A China busca diversificar o fornecimento de carne suína e miúdos.

Estadão
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