O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira que levou à consideração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva os nomes dos economistas Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para assumirem as duas diretorias vagas do Banco Central.
Cavalcanti é membro do Trinity College da Universidade de Cambridge e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Já Guilherme Mello é o atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Em entrevista à BandNews, Haddad disse que os nomes foram apresentados a Lula há três meses e ressaltou que o presidente ainda está colhendo sugestões e não convidou ninguém até o momento.
"Eu imaginei, pelas conversas que tive com essas duas figuras, que eles poderiam ser nomes a serem apreciados pelo presidente do Banco Central e o presidente Lula. Tem três meses que isso foi feito, de lá para cá não voltamos a conversar", disse.
A reunião de janeiro do Copom, que manteve a Selic em 15% ao ano e indicou corte de juros em março, foi realizada por apenas sete dos nove membros, após a saída de Diogo Guillen da diretoria de Política Econômica e de Renato Gomes da diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que tiveram mandatos encerrados em dezembro.
Na entrevista, Haddad enfatizou que o BC é um órgão técnico e não deixará de ser. Ele disse não ter entendido a "animosidade" no mercado em relação ao nome de Mello, afirmando que ele faz um excelente trabalho à frente da Secretaria de Política Econômica.
Professor de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Mello foi um dos responsáveis pela elaboração do programa de governo do PT para o atual mandato de Lula.
Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) e Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mello é mestre em Economia Política pela PUC/SP e doutor pela Unicamp.
Cavalcanti, por sua vez, é Ph.D. e mestre em Economia pela Universidade de Illinois, com pesquisas nas áreas de macroeconomia, crescimento econômico e desenvolvimento.
Para Haddad, ele é a "grande estrela brasileira" no exterior entre economistas com menos de 50 anos de idade.