Espionagem na Guerra Fria ajudou a aquecer a economia da Alemanha Oriental

28 set 2026 - 12h01
Resumo
Um estudo da Rockwool Foundation Berlin revelou que a espionagem econômica da Stasi aumentou a produção da Alemanha Oriental em 7,4% no fim dos anos 1980 e elevou o valor agregado industrial em 22,3%. O roubo de segredos ocidentais impulsionou a produtividade, gerou retornos anuais milionários e ajudou empresas a sobreviverem à reunificação. Para os autores, o caso ilustra debates atuais sobre controle de exportações, proteção intelectual e disputas tecnológicas com potências como a China e a Rússia.

Estudo revela que roubo de segredos industriais ocidentais durante a Guerra Fria aumentou em 7,4% a produção econômica do país socialista no fim dos anos 1980.A extensa espionagem econômica conduzida pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, nas décadas de 1970 e 1980, aumentou em 7,4% a produção econômica total do país no fim dos anos 1980, segundo uma análise da Rockwool Foundation Berlin.

Segundo pesquisa, empresas da Alemanha Oriental que tiveram acesso a dados obtidos por espionagem cresceram mais rápido
Segundo pesquisa, empresas da Alemanha Oriental que tiveram acesso a dados obtidos por espionagem cresceram mais rápido
Foto: DW / Deutsche Welle

De acordo com o estudo, o valor agregado da indústria foi 22,3% maior devido à espionagem, o equivalente a 20,2 bilhões de marcos da Alemanha Oriental ou 4,1 bilhões de euros em valores de 2020 (cerca de R$ 24 bilhões, pelo câmbio atual). Todos os números se referem a 1988, ano anterior à queda do Muro de Berlim.

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"A espionagem da Stasi fortaleceu a posição da República Democrática Alemã dentro do bloco socialista. No entanto, ela não melhorou significativamente o sucesso do país nos mercados ocidentais", afirmou Albrecht Glitz, coordenador do projeto da RFBerlin e pesquisador da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona. A Stasi era o serviço secreto da Alemanha Oriental. "Por outro lado, as empresas que receberam informações valiosas tiveram melhores condições de sobreviver à transição para a economia de mercado após a reunificação."

Crescimento rápido com informações do Ocidente

Segundo a pesquisa, empresas que tinham acesso a informações úteis obtidas por espionagem registraram crescimento mais rápido da produtividade. Além disso, investiram mais em seu capital produtivo, dependeram mais de insumos intermediários e se especializaram em seus produtos principais. Essas vantagens se espalharam pelas redes de fornecedores e clientes, ampliando os ganhos para toda a economia. Cada informação valiosa adicional gerava um retorno econômico anual estimado em cerca de 330 mil euros em valores de 2020, ou 1,64 milhão de marcos da Alemanha Oriental, afirmou Glitz.

Durante a Guerra Fria, a Alemanha Oriental manteve um dos maiores programas de espionagem econômica do mundo, coletando informações científicas e técnicas de empresas e instituições de pesquisa no Ocidente.

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Com base em arquivos secretos anteriormente inacessíveis e documentos empresariais recentemente digitalizados, os autores afirmam ter conseguido rastrear as informações obtidas por espionagem desde sua origem no Ocidente até os destinatários finais na economia da Alemanha Oriental.

Relação com a atualidade

De acordo com Adrian Lerche, coautor do estudo e pesquisador do Instituto de Pesquisa do Mercado de Trabalho e Profissões (IAB), em Nuremberg, as conclusões da pesquisa têm relevância atual.

"Embora nosso estudo analise acontecimentos da Guerra Fria, as questões fundamentais continuam extremamente importantes hoje, especialmente em relação a controles de exportação, política industrial, proteção da propriedade intelectual e competição tecnológica", disse Lerche.

No passado, a China foi repetidamente acusada de dever parte de sua ascensão como potência tecnológica e econômica à espionagem industrial e ao roubo de propriedade intelectual.

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"Muitos governos estão atualmente endurecendo os controles de exportação, avaliando investimentos estrangeiros com mais rigor e reforçando a proteção de tecnologias estratégicas", afirmou Glitz. Do ponto de vista econômico, o acesso ao conhecimento de ponta é fundamental.

Como reação à invasão russa da Ucrânia, por exemplo, países ocidentais endureceram os controles de exportação sobre bens com potencial uso militar. Segundo especialistas, a Rússia tenta contornar essas restrições por meio de agentes no exterior.

Os pesquisadores também apontam preocupações com as tentativas da China de obter acesso à tecnologia usada na fabricação de máquinas para produzir os semicondutores mais avançados do mundo. Atualmente, essas máquinas são fabricadas exclusivamente pela empresa holandesa ASML.

md/ra (Reuters, ots)

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