Ações do Nubank despencam em NY com notícias sobre negociação para compra de banco britânico

28 set 2026 - 11h45
Resumo
As ações do Nubank caíram até 9% em Nova York após rumores de negociações para a compra do banco digital britânico Monzo, avaliado entre 8 e 10 bilhões de libras. Analistas veem risco de distração operacional frente a prioridades no México e EUA, além de mudança no padrão de crescimento orgânico da fintech, embora reconheçam o potencial de acelerar sua expansão na Europa. O Nubank não comentou a transação. Paralelamente, o anúncio do Desenrola 3.0 no Brasil também repercutiu no setor financeiro.

As ações do Nubank chegaram a recuar ‌9% em Nova York nesta segunda-feira, tendo como pano de fundo notícias de que a instituição estaria em negociações preliminares para uma potencial aquisição do banco digital britânico Monzo.

De acordo com reportagem do site britânico Sky News no sábado, sem citar fontes, o Monzo foi abordado sobre uma possível combinação de negócios com o Nubank, em operação que poderia avaliar o banco britânico entre 8 bilhões e 10 bilhões de ⁠libras esterlinas. O Sky News cita que as negociações entre o Monzo e a Nu Holdings estariam em estágio relativamente ‌inicial, embora a empresa britânica já tenha contratado banqueiros de investimento do Morgan Stanley e da Qatalyst para assessorá-la.

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Procurado nesta segunda-feira, o Nubank afirmou que não comenta rumores nem especulações. "Reafirmamos nosso compromisso em manter ‌uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para ‌os nossos negócios", disse o banco em comunicado.

Analistas do JPMorgan afirmaram que, caso as negociações sejam confirmadas, ⁠a reação inicial dos investidores provavelmente seria negativa. Por volta de 11h30, os papéis do Nubank caíam 7,65%, a US$12,55, em Nova York, tendo alcançado US$12,36 na mínima até o momento. 

Entre os componentes para tal reação eles citaram o valuation elevado e o timing, com o Nubank sendo negociado perto de mínimas históricas em termos de múltiplos, mas também possível mudança de estratégia, saindo de um modelo baseado em crescimento orgânico para ‌uma abordagem mais dependente de aquisições, e risco de distração operacional, especialmente em relação às prioridades estratégicas atuais no ‌México, Estados Unidos e Colômbia, devido ⁠aos desafios de integração.

"Nós ⁠ficaríamos surpresos", afirmaram os analistas. 

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A equipe do JPMorgan ponderou que o Monzo possui ativos valiosos, como escala operacional, grande base de ⁠depósitos, forte reconhecimento de marca e uma presença relevante em ‌um mercado considerado escasso em oportunidades ‌de aquisição. "Isso poderia acelerar a expansão global do Nubank, especialmente no Reino Unido."

Na visão de analistas do UBS BB,  qualquer potencial transação estaria alinhada à estratégia de expansão global do Nubank e proporcionaria uma porta de entrada para o mercado do Reino Unido e, de forma mais ampla, para ⁠a Europa. O movimento, acrescentaram, também seguiria uma tendência observada entre outras fintechs globais, incluindo o Revolut, que tem ampliado sua presença internacional por meio da obtenção de licenças e de aquisições.

"Dito isso, vale destacar que o modelo de negócios do Monzo difere do Nubank, com menor foco em crédito e maior orientação para serviços de carteira digital. Também acreditamos que o ‌risco de execução seria um fator importante a monitorar, especialmente considerando os esforços atuais do Nubank para escalar sua operação nos Estados Unidos, lançada recentemente", afirmaram em relatório a clientes.

DESENROLA

O movimento das ações do ⁠Nubank também tem como pano de fundo anúncio na última sexta-feira pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Desenrola Brasil 3.0, um novo programa para ajudar pessoas endividadas, com foco em dívidas que estejam com atraso de 2 anos a 4,5 anos.

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Para a equipe do UBS BB,  o anúncio é positivo para os bancos no curto prazo, embora possa aumentar o risco de "moral hazard" no longo prazo.

"As instituições financeiras poderão monetizar carteiras de crédito já baixadas como prejuízo por meio de leilões promovidos pelo governo. Como esses empréstimos, em geral, já foram integralmente provisionados ou baixados dos balanços, os recursos obtidos podem se converter em ganhos extraordinários, especialmente no quarto trimestre de 2026", explicaram.

"Por outro lado, no longo prazo, programas recorrentes de renegociação e refinanciamento de dívidas podem criar incentivos negativos para os tomadores. Isso porque parte dos consumidores pode passar a adiar o pagamento de suas obrigações, apostando na possibilidade de aderir futuramente a um novo programa de renegociação em condições mais favoráveis."

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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