A CSN recebeu mais interessados que o inicialmente esperado para o processo de venda de ativos, que inclui o controle da cimenteira do grupo e participação em operação logística, disse o diretor financeiro da empresa, Antonio Marco Rabello, nesta quinta-feira.
"Recebemos volume bem grande de 'non binding' (ofertas não vinculantes)", disse o executivo durante conferência com analistas após publicação dos resultados da CSN no primeiro trimestre, citando que a empresa mantém expectativa de concluir a venda da CSN Cimentos no terceiro trimestre.
"Todos os 'players' são estratégicos e o percentual de venda de ações de controle é o comprador quem vai definir quanto quer", acrescentou o executivo. Rabello não disse quantas propostas a CSN recebeu, mas citou que a empresa está aberta a vender até 100% de sua cimenteira "porque o objetivo é levantar cheque importante para desalavancar o grupo como um todo".
Questionado sobre a linha de crédito com um sindicato de bancos de US$1,2 bilhão, que pode chegar a US$1,4 bilhão, Rabello disse que a CSN já utilizou um terço dos recursos inicialmente acertados e que se a venda da CSN Cimentos ocorrer como o esperado no terceiro trimestre, a empresa não precisará incrementá-la com mais US$200 milhões.
A expectativa de Rabello é que as ações de due diligence de interessados na CSN Cimentos comecem nas próximas duas semanas, para que o processo de venda da companhia entre em fase vinculante.
Enquanto isso, a empresa trabalha em alongamento e redução de custo de suas dívidas, com foco nos vencimentos de 2028, que somam R$11,75 bilhões, dos quais quase R$8 bilhões correspondem a dívida no mercado de capitais.
Rabello afirmou que a CSN, embora não tenha feito ainda propostas para refinanciamento de título de dívida de US$1,3 bilhão que vence em 2028, quer diminuir a torre de vencimentos desse prazo "o mais cedo possível" e para isso usará parte do caixa nesse refinanciamento.
A empresa terminou março com disponibilidades de R$14,6 bilhões, sem incluir o empréstimo-ponte acertado em março.
E antes de 2028 a CSN tem pela frente vencimentos de R$6,6 bilhões neste ano e R$8,2 bilhões em 2027, sobre os quais a empresa já está trabalhando, disse o diretor financeiro.
"Temos já mapeamento de todas as dívidas de 2026 e 2027 e também de 2028", disse o executivo. "O objetivo é dívida mais longa e mais barata."
SIDERURGIA
Na frente operacional, a divisão de siderurgia começou a sentir em março os efeitos das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo federal nos últimos meses e já prepara novo aumento de preços no mercado interno para a segunda metade deste mês, afirmou o diretor comercial, Luis Fernando Martinez.
A CSN teve em março 49% de suas vendas de 1,12 milhão de toneladas de aço do primeiro trimestre. Além disso, a empresa retomou exportações, impulsionada pelos impactos geopolíticos causados pela guerra no Oriente Médio.
"Com certeza, segundo trimestre vem mais forte", disse Martinez durante a conferência. "Pretendemos voltar para margem Ebitda de dois dígitos", acrescentou. A margem Ebitda da siderurgia da CSN no primeiro trimestre foi de 7%, impactada por fraquezas de janeiro e fevereiro e após 13,4% nos últimos três meses do ano passado.
Martinez citou que o segundo e terceiro trimestres devem mostrar uma queda "brutal" nas importações de aço no Brasil, o que deve ajudar o poder de precificação dos produtores locais e elevar uso de capacidade produtiva nacional.
Na avaliação do diretor comercial da CSN, a empresa deve ter um preço médio de aço no segundo trimestre 5% a 7% mais alto que no início do ano. "Estou sendo cirúrgico e pontual (nos reajustes) porque não quero estragar a equação favorável para a recuperação de volumes de materiais revestidos."
O setor siderúrgico nacional ainda tem expectativa para entre final de junho e início de julho o governo federal adotar nova medida antidumping contra importações de aço laminado a quente.
Martinez afirmou que a CSN também está fazendo pedidos ao governo para iniciar investigações sobre folha metálica, um dos principais produtos da empresa e muito usado pela indústria de embalagens, de origens como Alemanha e Índia. Além disso, a empresa tem trabalhado com a Receita Federal para fiscalizar importações do Vietnã para evitar desvios de comércio, disse o executivo.