Honda tem 1º prejuízo anual com baixa contábil de US$9 bi para elétricos

14 mai 2026 - 16h25

A Honda Motor divulgou nesta quinta-feira seu ‌primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como empresa de capital aberto, pressionada por mais de US$9 bilhões em custos para reestruturar seu negócio de veículos elétricos, em um resultado que não foi pior por causa da operação de motocicletas no Brasil e Índia.

A publicação do pior relatório financeiro desde que a Honda foi listada no mercado de ações em 1957 ⁠ressalta o risco que uma aposta agressiva em veículos elétricos pode representar para uma montadora ‌tradicional quando se depara com uma demanda mais fraca do que o esperado.

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Toshihiro Mibe, presidente-executivo da segunda maior montadora do Japão, disse nesta quinta-feira que a Honda cancelou meta fazer ‌com que veículos elétricos representem 20% das vendas de ‌carros novos em 2030, bem como uma meta de mudança total para motorização elétrica ⁠ou por célula de combustível até 2040.

Mibe disse que a Honda também suspenderá indefinidamente seu projeto de veículos elétricos no Canadá, um plano de investimento de US$11 bilhões para produzir veículos elétricos e baterias no que teria sido o maior investimento da empresa japonesa no país.

AÇÕES EM ALTA

As ações da Honda, porém, atingiram o maior nível em dois meses depois que ‌a empresa prometeu pelo menos 800 bilhões de ienes em retornos aos acionistas ao longo de ‌três anos e manteve o ⁠dividendo anual para o ⁠novo ano fiscal e para o ano que acabou de terminar em 70 ienes por ação.

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A promessa destaca ⁠a confiança da Honda em seu lucrativo negócio ‌de motocicletas para gerar caixa ‌e apoiar os retornos aos acionistas, já que a operação automotiva continua atrasada em termos de escala e execução.

"A execução geral tem sido muito lenta", disse James Hong, chefe de pesquisa de mobilidade da Macquarie. Algumas medidas que a empresa apresentou como parte ⁠de sua estratégia, como o uso de mais componentes locais da China, "não são novidade", disse ele.

O prejuízo operacional da Honda totalizou 414,3 bilhões de ienes (US$2,63 bilhões) no ano encerrado em março, em comparação com a estimativa do mercado de resultado negativo de 315,6 bilhões de ienes, segundo dados da LSEG. Um ano ‌antes a companhia teve lucro de 1,2 trilhão de ienes.

A Honda registrou perdas totais relacionadas a veículos elétricos de 1,45 trilhão de ienes no ano comercial encerrado em março e ⁠espera enfrentar custos adicionais de 500 bilhões de ienes no ano que acaba de começar. Isso se compara aos custos com de veículos elétricos de até 2,5 trilhões de ienes que a Honda estimou em março.

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A empresa ainda espera retornar à lucratividade este ano, prevendo um lucro de 500 bilhões de ienes com medidas de redução de custos e seu lucrativo negócio de motocicletas.

"O negócio de motocicletas expandirá a capacidade de produção na Índia... e terá como meta um recorde de vendas de 22,8 milhões de unidades", disse a Honda.

As fortes vendas na Índia e no Brasil permitiram que a divisão de motocicletas da Honda alcançasse um volume de vendas e lucro operacional recorde no ano fiscal encerrado em março, ajudando a empresa a amortecer o impacto da baixa contábil com carros elétricos, bem como queda nas vendas de automóveis nos principais mercados, incluindo a China.

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