Novela sertaneja é interessante, mas derruba audiência da Globo e acende alerta 

‘Coração Acelerado’ decepciona quem apostava na aprovação imediata de um tema que é a cara do Brasil

11 fev 2026 - 10h06
(atualizado às 10h06)

No ar há 1 mês, ‘Coração Acelerado’ espantou 11% do público da faixa das 19h da Globo na comparação com os mesmos 25 capítulos iniciais da antecessora, ‘Dona de Mim’.

A produção atual marca média de 18.7 pontos contra 21.1 pontos da anterior. Está abaixo também do desempenho de outras novelas recentes do horário, como ‘Volta por Cima’, ‘Família é Tudo’ e até da criticada ‘Fuzuê’.

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‘Coração Acelerado’ oferece trama principal simpática, personagens carismáticos, trilha sonora envolvente, mas esse conjunto parece insuficiente para evitar a sangria no ranking.

Havia expectativa de sucesso instantâneo pela temática popular do mundo sertanejo, cuja música ainda é dominante na maioria das rádios e em plataformas como o Spotify e Deezer.

Como explicar a rejeição a ‘Coração Acelerado’ por parte dos telespectadores? Na verdade, está cada vez mais difícil compreender os números do Ibope e o comportamento dos noveleiros.

Naiane (Isabelle Drummond), João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz), os protagonistas de 'Coração Acelerado': atuações convincentes ofuscadas pela crise de audiência
Naiane (Isabelle Drummond), João Raul (Filipe Bragança) e Agrado (Isadora Cruz), os protagonistas de 'Coração Acelerado': atuações convincentes ofuscadas pela crise de audiência
Foto: Divulgação/TV Globo

Uma obviedade se impõe: o público da cidade de São Paulo, onde é feita a principal aferição de audiência, é mais diverso do que nas outras regiões do país.

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O sertanejo tem numerosos fãs na metrópole, porém, parte dos moradores dos domicílios monitorados pela Kantar Ibope pode não se interessar por uma novela ‘caipira’ ambientada em Goiás.

Por estar inserida em um contexto específico, ‘Coração Acelerado’ requer o vínculo emocional de quem se propõe a acompanhá-la diariamente. Por isso, a questão geográfica e cultural pode afastar parte do público.

Importante destacar que as novelas anteriores apresentavam narrativas urbanas sem vínculo com uma característica tão forte como um gênero musical.

O brasileiro consome o sertanejo no carro, nas playlists e nas redes sociais, mas isso não significa que queira viver esse universo todas as noites como base de seu entretenimento em casa.

O alerta que se acende para a Globo não é sobre abandonar apostas regionais ou populares, mas entender que está cada vez mais difícil agradar a um público variado que já não reage de maneira uniforme às fórmulas tradicionais da teledramaturgia.

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A fragmentação do consumo audiovisual, impulsionada pelo streaming, tornou o telespectador impaciente e infiel. Hoje, a escolha de acompanhar uma novela passa menos pela força de um tema popular e mais pela capacidade de capturar a atenção e estimular a passionalidade de quem assiste. Isso, sim, faz a pessoa não mudar de canal e voltar no dia seguinte.

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