A Globo fará uma mudança inédita em sua programação do horário nobre. O debate de 1º turno com candidatos à Presidência da República, previsto para setembro, ocorrerá mais cedo, logo após o ‘JN’. No dia, não será exibida a novela das 9.
Segundo contou a âncora Renata Lo Prete em evento para a imprensa acompanhado pela coluna, o objetivo é que mais brasileiros tenham acesso à informação a partir da antecipação no horário.
Até 2022, o debate sempre acontecia na sequência do capítulo da novela, por volta de 22h20, e terminava depois da meia-noite.
Outra novidade é na mediação. Com a saída de William Bonner do ‘Jornal Nacional’, seu sucessor na bancada, César Tralli, será o condutor do debate ao lado de Renata Vasconcellos, que irá desempenhar a função pela primeira vez.
Caso haja 2º turno, o debate na Globo será mediado por Renata Lo Prete, que, além da cobertura no ‘Jornal da Globo’, continuará à frente dos boletins de apuração.
Em 2022, o 1º debate presidencial na emissora, exibido na sequência de ‘Pantanal’, registrou média de 24.7 pontos de audiência. Realizado 1 mês depois, o debate de 2º turno alcançou 28 pontos.
Opinião da coluna
Mesmo com queda de audiência, o telejornalismo segue desempenhando um papel decisivo na desconstrução — no sentido crítico e jornalístico — das candidaturas à Presidência durante os debates eleitorais.
Nos confrontos ao vivo, discursos são avaliados em tempo real, contradições ficam mais evidentes e propostas deixam o terreno abstrato para serem submetidas ao choque de realidade.
Ao organizar e conduzir esses encontros, a TV aberta não apenas oferece palco aos candidatos, mas também atua como filtro, permitindo que o eleitor observe reações espontâneas, domínio de temas e capacidade de argumentação sob pressão.
Embora as redes sociais tenham ampliado o alcance da propaganda política, a televisão ainda preserva uma força singular na formação de opinião, sobretudo entre eleitores indecisos e aqueles predispostos à virada de voto.
Mesmo quando as regras dos debates são criticadas por tornarem o formato mais engessado ou burocrático, esses programas permanecem fundamentais para o fortalecimento da democracia.
Em tempos de polarização e desinformação, o telejornalismo cumpre, assim, a missão de garantir um ambiente minimamente equilibrado para o público que vota e escolhe o rumo do país.