Em julho do ano passado, uma pesquisa acadêmica abalou o campo da física de materiais com um protagonista inesperado: uma rocha espacial coletada na Alemanha há três séculos. Em seu interior, havia um mineral cujo comportamento térmico não se encaixa em nenhuma classificação conhecida. O mais desconcertante não é o material em si (embora isso também seja surpreendente), mas o fato de ele ter permanecido em uma vitrine, acumulando poeira, desde 1724: ninguém o havia examinado com os instrumentos apropriados até então.
Meteorito de 1724
Apelidado de "Meteorito Steinbach" em homenagem à região alemã da Saxônia onde caiu, seus fragmentos rapidamente passaram a fazer parte de coleções de museus devido à sua origem exótica e beleza, sem atrair muita atenção da comunidade científica. Entre essas coleções está o Museu Nacional de História Natural de Paris, que abriga o fragmento usado nesta pesquisa.
Este fragmento contém tridimita meteórica, uma forma extraordinariamente rara de dióxido de silício na Terra. Trata-se de um polimorfo do quartzo que se forma apenas sob condições extremas de temperatura e pressão — condições não encontradas na geologia terrestre comum, mas presentes em impactos de meteoritos ou ambientes vulcânicos.
Por que é importante?
A tridimita no meteorito Steinbach mantém uma condutividade térmica praticamente constante entre -193 °C e 107 °C (80 e 380 Kelvin), além de simplesmente conduzir calor igualmente bem tanto no inverno rigoroso da Islândia quanto durante uma ...
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