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Negro é poder e força, mas também é ancestralidade', afirma a jornalista Luiza Brasil

Para ela, a moda serviu como ferramenta para afirmar o orgulho da sua identidade. Hoje ela fala sobre isso em suas redes

19 nov 2022 - 05h10
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Criada por pais que sempre foram pioneiros nos espaços que ocupavam e tinham grande entendimento racial, a comunicadora Luiza Brasil cresceu sabendo exatamente quem era e o que podia ser.

"Desde pequena eu realmente subvertia a regra, porque sempre exerci, a partir da minha negritude, a minha liderança, e usei a minha força pessoal para entender que ser negro é poder e força, mas também é ancestralidade. Isso foi precioso na minha vida", diz.

Hoje, Luiza é considerada uma das principais vozes do protagonismo e do feminismo negro de sua geração. Com 127 mil seguidores no Instagram, um livro e um documentário para chamar de seu, ela busca transpor as barreiras do mundo como uma personagem da moda, comportamento e identidade.

Jornalista, pesquisadora de moda e comportamento, influenciadora, empreendedora, autora e tantos cargos mais. Luiza Brasil é múltipla, mas sempre manteve a moda como sua base para continuar sendo tradutora de informação e educadora da sua audiência.

"A moda para mim é ferramenta. Ela é o lugar do meio de tudo isso, porque, a partir do meu trabalho com identidade, eu consegui conquistar o mundo e atravessar fronteiras", conta ela, que sempre viu esse espaço como algo libertador.

"Foi me entendendo enquanto imagem e me empoderando e apoderando da minha imagem que eu me tornei cada vez mais autêntica com quem eu sou por dentro. E isso foi um processo que eu construí desde criança. Só de eu nunca ter alisado meu cabelo na vida, isso já é um ponto muito importante para autoestima de uma mulher negra como eu", declara.

Estar em contato com a sua negritude e a de outras pessoas fortaleceu a autoestima de Luiza e deu a ela a confiança necessária para exercer papéis de liderança e de influenciadora desde a juventude. "A adolescência é um lugar muito sensível porque a gente lida com muitas vulnerabilidades. E foi essencial eu entender que eu não ia me adequar ao que o mundo queria que eu fosse, porque se eu me adequar, eu não vou pertencer. Precisei criar a minha forma de ser aqui nesse meio", explica.

Autoestima, saúde mental, relacionamentos, mundo digital e real, representatividade e pertencimento. Nas redes e no dia a dia, Luiza busca aprofundar debates e discussões importantes diante de assuntos que envolvem a moda - até então chamada por muitos de frívola.

O nome da sua plataforma - que começou como blog em 2015 e hoje já faz parte da sua identidade-, Mequetrefismos, também vem de um lugar que à primeira vista pode parecer superficial, mas Luiza o transforma em algo profundo. Afinal, mequetrefe, de onde vem o nome, significa algo fútil, sem valor ou bobo.

"Quando comecei a pensar em rede social, eu não queria usar meu nome porque sempre tive em mente que o que queria era algo que conseguisse pluralizar a informação", explica. "Eu até pensei em mudar, mas hoje as pessoas associam o nome com assuntos necessários para a sociedade."

Narrativas

O nome foi também a inspiração para a sua empresa de comunicação MequeLab, que repensa as narrativas retratadas pela indústria da moda, dando visibilidade para narrativas plurais por um viés racial, cultural e social.

Para ela, estamos na fase do pertencimento. "É sobre fazer com que as pessoas tenham um lugar de voz ativa, e sejam protagonistas dentro dos espaços em que elas habitam", detalha. "A gente já falou sobre ocupar, mas ele é duro. Depois a gente passa a representar, mas é um lugar onde o erro não é permitido. Agora falamos do pertencer, que é o lugar humano da nossa ocupação. Experimentando, testando e dando opinião."

Tudo isso, claro, veio com muito estudo e observação. "Muitas vezes, ao longo da minha vida, vivi coisas que eu não sabia o nome dentro do racismo estrutural, dentro do sexismo, dentro de uma série de caixas, do que é ser uma mulher negra e, ao longo do tempo, eu fui entendendo o que eram essas coisas", explica. "Fui criando ferramentas para subverter e começar a estudar sobre os fenômenos sociais, entender a minha racionalidade, e me aprofundar mais nisso fez com que me sentisse mais forte."

A perspectiva de contar a história da América Latina, como um todo, para o mundo é o que a move. "Ser uma dessas personagens e fazer da moda essa ferramenta para contar sobre marca, estética, identidade, gente, é algo que enche meus olhos e faz meu coração bater mais forte."

Estadão
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