Beber vinho todo dia é sinal de alerta? Especialistas alertam para riscos após relato de Henri Castelli no BBB26
Antes de deixar o confinamento após sofrer convulsões, o ator revelou em conversa com Jonas que ingere álcool diariamente em jejum
Especialistas alertam que o consumo diário de álcool, especialmente em jejum, como relatado por Henri Castelli no BBB26, pode indicar uma relação problemática com a bebida, trazendo riscos à saúde física e mental.
Antes de precisar deixar a casa do BBB26 após sofrer convulsões, Henri Castelli já tinha chamado a atenção do público ao revelar que toma vinho todos os dias pela manhã. Em uma conversa com Jonas Sulzbach, o ator contou que bebe diariamente em jejum, mas negou qualquer tipo de dependência. Na verdade, a prática pode ser um sinal de alerta para uma relação problemática com o álcool.
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Henri se sentiu à vontade para falar sobre o assunto logo no primeiro dia de programa. "Meus amigos falaram assim: 'como você vai ficar lá sem vinho?'. Eu falei: de boa, não sou alcoólatra, não!'. Só que eu tomo vinho acordando", admitiu.
Para manter a saúde em dia, é melhor esquecer aquele velho papo de que tomar vinho todos os dias ajuda no funcionamento do coração. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe dose segura de álcool, principalmente se pensarmos em seu consumo diário.
Beber todos os dias pode ser um sinal de alerta?
Geralmente, a ingestão de bebidas alcoólicas é associada a eventos pontuais e comemorações, como festas e datas importantes no calendário. A prática passa a ser um sinal de alerta quando se torna parte de um ritual diário.
Chegar cansado do trabalho e tomar uma tacinha para relaxar ou beber uma cerveja logo pela manhã para aliviar a ansiedade podem parecer atitudes inofensivas, mas são um perigo para a saúde.
Alessandra Rascovski, endocrinologista e autora do livro AtmaSoma: O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor, explica que o alcoolismo não é definido apenas pela quantidade do consumo, mas passa por decisões comportamentais.
"É importante entender por que nem sempre falamos em dose quando falamos de álcool. Porque uma pessoa pode beber pouco e ser mais dependente do que outra que bebe uma quantidade menor", diz.
"O que também temos que pensar em relação aos critérios diagnósticos é em como a pessoa se comporta. Ela tem dificuldade de reduzir o álcool? Tem perda de controle? Outro ponto é dependência fisiológica. A pessoa vai tendo como se fosse uma 'tolerância'. Cada vez ela precisa de mais álcool para sentir o que ela sentia antes", argumenta.
Para o psiquiatra Daniel Martinez, pensar em beber uma taça de vinho logo ao acordar já pode ser uma 'bandeira vermelha', mesmo se for apenas um ou dois goles.
"Não pensa só na quantidade, mas também no padrão. A pessoa acorda, às vezes, pensando no álcool. Isso pode indicar uma dependência fisiológica ou psicológica e o consumo deixa de ser inofensivo. Se a pessoa tem que beber durante o dia e pensa 'estou sem vinho, vou sair pra comprar', ela precisa se preocupar", detalha.
Cuidado com frases como 'bebo para relaxar'
Se o álcool se tornou uma peça fundamental para conseguir encarar a rotina, cuidado. É importante tentar entender os motivos psicológicos por trás do consumo diário de bebida alcóolica. "Frases como 'eu bebo porque me ajuda a relaxar', 'me ajuda a dormir', 'beber me equilibra', já são um sinal de alerta para que a gente fique atento", exemplifica Alessandra.
"A pessoa que bebe moderadamente, todos os dias, já está acumulando prejuízo na saúde, mesmo sem ter episódios exagerados. Algumas falam que estão dormindo melhor quando bebem, mas, na verdade, a qualidade do sono é pior", complementa Martinez.
A endocrinologista também recomenda observar possíveis sintomas de abstinência ao longo do dia. "Quando essa pessoa não bebe, ela tem ansiedade, irritabilidade, tremor ou insônia? E há também o impacto funcional. Quando bebe, atrapalha o trabalho, as relações pessoais, a saúde?", questiona.
Priorizar o álcool sobre outras atividades diárias ou até mesmo sobre relações sociais também é um problema. "A dependência gera prejuízo social, prejuízo familiar, a pessoa se envolve em acidente, crime, agressão...", lista o psiquiatra.
Em jejum e com medicamentos, nem pensar
Durante o papo descontraído na madrugada com outro brother, Henri Castelli não só revelou o consumo diário de álcool, mas afirmou que toma uma tacinha em jejum, com algumas medicações.
“De manhã, pô, em jejum. (…) Enquanto eu vou tomando as minhas vitaminas que eu tomo de manhã, eu tomo vinho mesmo”, disse. Segundo a Dra. Alessandra Rascovski, não se deve ingerir álcool com o estômago vazio de modo algum.
"A absorção do álcool é mais rápida, o pico de álcool no sangue é mais alto e o fígado recebe uma carga metabólica maior. Então você também acaba podendo desenvolver problemas no fígado com mais facilidade. Além disso, também existem sintomas como azia, queimação, refluxo, as doenças gástricas, porque a barreira protetora gástrica está pior. É como se a gente conseguisse amplificar, bebendo em jejum, todos os efeitos do álcool", alerta.
E o estômago não é o único que 'sofre' com a ingestão de bebidas em jejum. A endocrinologista explica que o álcool atinge o cérebro de maneira mais rápida nessas condições.
"Gera liberação de dopamina e reforça o comportamento de recompensa mental, com impacto em vício. Além disso, o álcool também é vasodilatador e tem um efeito muito inflamatório. Basicamente é tóxico para as células, principalmente as de estômago e fígado", ressalta.
Se aquela tacinha de vinho ou um chopinho gelado são 'bombas' para quem está em jejum, tudo piora ainda mais se ingeridos com medicamentos.
"O álcool compete com as enzimas que metabolizam medicações e pode potencializar efeitos colaterais e diminuir ou aumentar o efeito de muitos remédios, principalmente antidepressivos e remédios para dormir. Existem também alguns efeitos de mudança no cortisol, no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, desregulando os hormônios", explica.
Impactos a longo prazo
Beber álcool todos os dias tem impactos significativos na saúde física e mental. Riscos como esteratose hepática, gordura no fígado, a piora da resistência insulínica e até mesmo a perda de massa muscular podem ser observados em pessoas que têm esse hábito.
"Em relação à saúde mental também existem várias consequências. O álcool parece relaxar, mas pode dar uma ansiedade rebote e é um depressor do sistema nervoso central, piorando a depressão", completa.
Na tentativa de 'driblar' a ansiedade na hora de ir para aquele date, de apresentar um trabalho importante em público ou encarar uma reunião de trabalho, a pessoa pode estar, na verdade, se autossabotando. Quem explica é o psiquiatra Daniel Martinez.
"Quando a pessoa usa o álcool como uma automedicação para a ansiedade, no médio prazo ele vai piorando o quadro ao longo do tempo, desregula os neurotransmissores, deixa o sono 'picado', impacta na energia, no humor e pode atrapalhar até a libido", argumenta.
Em casos mais graves, pode haver ainda alteração na memória e ajudar a desenvolver quadros de demência.
Como melhorar a relação com álcool?
Para entender se existe uma relação problemática com o álcool, é importante que a pessoa questione de onde vem esse desejo de beber, principalmente se for algo diário. Algumas perguntas importantes incluem: por que eu estou bebendo? É uma escolha, eu estou num contexto social, numa festa?
A partir dessa consciência, a Dra. Alessandra Rascovski dá uma dica para melhorar, gradativamente, essa possível dependência.
"Vai tentando diminuir a quantidade ingerida, principalmente misturando com água entre as doses, deixando sempre uma dose de álcool. Tenha consciência: 'eu tomei uma dose, agora eu vou beber uma garrafa de água'", explica.
O psiquiatra Daniel Martinez também aposta na criação de metas diárias de redução do álcool. "Se eu estou bebendo quatro vezes na semana, vou começar a beber três, depois vou começar a beber duas, não bebo na terça-feira ou na quarta, tentar evitar beber de manhã, postergo o horário da primeira tomada", exemplifica.
Também é importante tentar não beber como estratégia de manejo emocional, até mesmo como uma forma de testar seu controle.
"Mas se estiver tendo dificuldade ou não conseguindo sozinho ou tem muito sofrimento emocional e até prejuízo social familiar, é buscar ajuda de um profissional. Às vezes, é importante começar em uma abordagem com um psicólogo, psicoterapeuta. Sempre que a pessoa dá o primeiro passo para o tratamento, para cuidar da própria saúde, é um sinal de força, uma virtude, não é um sinal de fraqueza", destaca.
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