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Jairo Bouer: Amor, sexo e aplicativos: entenda os riscos

Todo cuidado é pouco quando falamos do uso de redes sociais para encontros

27 jul 2023 - 18h11
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Amor, sexo e aplicativos: entenda os riscos
Amor, sexo e aplicativos: entenda os riscos
Foto: Imagem: Unsplash

Cada vez mais as pessoas se conhecem por meio de redes sociais e aplicativos. Dois casos divulgados essa semana, que terminaram de forma trágica, servem de alerta para os riscos que esses encontros podem trazer.

Com a revolução tecnológica das últimas décadas era apenas uma questão de tempo para que as telas se tornassem o grande ponto de encontro para qualquer tipo de relação, pessoal ou de trabalho.

No caso das relações amorosas, afetivas e sexuais não foi diferente. Além da grande vitrine da nossa intimidade que são as redes sociais, diversos aplicativos facilitam esses encontros, aproximando pessoas que se identificam de alguma forma. 

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Ferramentas poderosas 

Tinder, Grindr, entre outros tantos, se tornaram ferramentas rápidas e poderosas de aproximação, tanto para quem busca uma cara metade para toda a vida, como para quem procura apenas uma transa rápida, sem envolvimento ou compromisso. Mas será que elas são seguras?

Essa semana a influencer Vitória Guarizo Demito, com 1,1 milhão de seguidores no Instagram, e o modelo Gabriel Meneses, foram presos por suspeita de tortura e roubo de R$ 41 mil de um empresário em São Paulo. 

Vitória teria conhecido o empresário em um aplicativo de relacionamento, marcado um encontro no apartamento dele em maio desse ano, aplicado o golpe do “boa noite cinderela” (uso de calmantes para “apagar” a vítima), facilitado a entrada de dois cúmplices no local, e então torturado a vítima com uma faca quente e um maçarico para obter senhas de cartões e bancos.

Segundo matéria publicada no Terra, a assessoria de imprensa da influenciadora informou que Vitória está colaborando com as investigações e confiante em provar sua inocência. A defesa de Gabriel não havia se manifestado até então. 

Pressa e incertezas

Essa possibilidade de conhecer alguém de forma muito rápida e imediata pode dificultar a avaliação dos riscos envolvidos em um encontro. Com escassos elementos disponíveis para nosso julgamento, algumas poucas fotos e meia dúzia de mensagens trocadas, não se sabe com certeza quem vai estar do outro lado da porta. 

Muita gente mal-intencionada se aproveita dessa facilidade do acesso ao outro e do anonimato de um encontro casual para aplicar golpes, que podem ser cercados de requintes de crueldade. Violência sexual, agressões, roubos, furtos, entre outros crimes, podem estar na esteira de riscos que se corre nessas situações.

Em outro caso ainda mais grave, o empresário David Dal Rio Silva foi asfixiado e morto após se encontrar com outro homem que havia conhecido em um aplicativo de relacionamento em Vitória (ES). A Polícia Civil investigou o caso por mais de mês, e concluiu o inquérito que indicia Breno Ribeiro Freire, 26 anos, pelo crime.

Segundo informações publicadas pelo Terra, os dois se conheceram há quatro meses e se relacionavam esporadicamente. Após o crime, Breno furtou o carro da vítima. Para as autoridades, a motivação do homicídio tem cunho financeiro. 

Violência não é a regra

É claro que na esmagadora maioria dos casos, os relacionamentos mediados pelas redes socais e aplicativos acabam bem, com as pessoas mais ou menos satisfeitas com o resultado do encontro. Felicidade, carinho e prazer de um lado, ou mágoa e frustrações do outro fazem parte do jogo, dentro dos limites considerados razoáveis e plausíveis de um encontro casual, cercado de tantas variáveis.

A reflexão central motivada por esses casos dramáticos, e outros tantos que acabam mal, é o que fazer para tentar reduzir os riscos. Para começar, os especialistas recomendam que os primeiros encontros aconteçam de forma mais gradual, em locais públicos, sem que a pessoa se exponha a momentos em que vá ficar totalmente sozinha com o outro. Embora, muitas vezes, esse seja exatamente o objetivo.

Não revelar dados sensíveis como endereço, documentos, local de trabalho e posses é outra questão importante. Se um encontro a sós for mesmo acontecer é preferível que ele seja em um local mais neutro, como um hotel ou um motel, do que na própria casa de um dos dois (o que pode trazer mais riscos). 

É sempre bom, também, contar para alguém (um amigo ou familiar) quem você vai conhecer e onde vai encontrar essa pessoa, bem como deixar claro para o outro que mais gente sabe onde você está naquele momento. 

O maior problema é que na hora em que a solidão, a carência ou o prazer apertam, muita gente esquece do ”botão” da razão, para viver apenas de acordo com seu desejo momentâneo. E é aí que o cenário se complica. Se a gente acrescentar a essa equação, álcool ou outras substâncias que impactam nossa capacidade de avaliar o que está acontecendo, os riscos se potencializam.

Por isso é importante trabalhar estigmas e preconceitos que ainda cercam os relacionamentos românticos e sexuais de qualquer natureza, com ou sem envolvimento amoroso, nascidos dentro ou fora das redes, e que as pessoas possam comunicar melhor aos amigos e familiares aquilo que sentem e desejam, reduzindo as chances de se expor a situações em que fiquem sozinhas, cara a cara com quem pode pode provocar algum dano importante à sua vida. 

*Jairo Bouer é médico psiquiatra, comunicador e publica suas colunas no Terra Você às quintas-feiras. 

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Fonte: Jairo Bouer
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