Pesquisa: País está mais preocupado com meio ambiente
Cresce o número de brasileiros preocupados com a questão ambiental. Pesquisa divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente indica que o porcentual saltou de 6% (último levantamento feito há seis anos) para 13% hoje.
No ranking das preocupações dos brasileiros, o meio ambiente está em sexto lugar, atrás de saúde/hospitais (81%), violência/criminalidade (65%), desemprego (34%), educação (32%) e políticos (23%). Há seis anos, o meio ambiente aparecia na 12ª colocação e, em 1992, primeiro ano da pesquisa, o tema era sequer citado.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o resultado da pesquisa revela o maior acesso à informação dos brasileiros. Ela chama a atenção para o fato de que o meio ambiente aparece também como um problema e não como oportunidade.
Para os brasileiros, o principal problema ambiental é, desde a primeira pesquisa, o desmatamento de florestas (neste ano, com 67%). Outros principais problemas são a poluição de rios e lagoas (47%), a poluição do ar (36%), o aumento do volume do lixo (28%), o desperdício de água (10%), a camada de ozônio (9%) e mudanças do clima (6%). Também são citados como problemas: extinção de animais/plantas (6%), falta de saneamento (3%), poluição por fertilizantes (3%), consumo exagerado de sacolas plásticas (3%) e falta de conscientização ambiental da população (2%).
Relatório Pnuma
Relatório Panorama Ambiental Global (GEO-5) divulgado pelo diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, indica que o mundo está acelerando numa direção "insustentável".
O relatório, que foi elaborado por cerca de 600 especialistas em meio ambiente ao longo de três anos, avaliou 90 das principais metas ambientais no mundo e indica que apenas 4 apresentam avanços significativos. Em 40 metas, houve "algum avanço"; pouco ou nenhum em 24; retrocesso em 8; e em 14, a avaliação ficou comprometida devido à falta de dados. Com base nos tratados internacionais, o GEO-5 avaliou o progresso alcançado nos principais objetivos das áreas de água, solo, biodiversidade, atmosfera, produtos químicos e resíduos.
De acordo com o documento, "se a humanidade não mudar urgentemente o seu rumo, os limites críticos podem ser ultrapassados, e isto pode ocasionar mudanças repentinas e irreversíveis à vida no planeta".
São as seguintes as quatro metas em que houve avanço: eliminação da produção e uso de substâncias que destroem a camada de ozônio, a remoção do chumbo de combustíveis, o aumento do acesso à água potável e o fomento de pesquisas para reduzir a poluição do ambiente marinho. Os retrocessos detectados são relacionados às mudanças climáticas, desertificação, seca e manutenção dos recifes de coral no mundo.
Os especialistas ressaltam o fato de a medição em diversas áreas ter sido prejudicada pela falta de estatísticas. "É impossível avaliar as tendências globais da poluição de água doce por causa de dados inadequados", argumentam os cientistas.
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