Um simples objeto defeituoso está fazendo uma espécie evoluir ao vivo: beija-flores
Beija-flor-de-anna é uma das aves mais belas do mundo, e nós estamos mudando sua evolução
No final da década de 1820, René Lesson visitou muitas vezes a coleção ornitológica de François Victor Masséna. Todas as manhãs, ele atravessava as portas do palácio parisiense do Duque e da Duquesa de Rivoli e se encantava com as mais de 12 mil espécies que ali haviam acumulado. Alguns dizem que ele se apaixonou por elas.
Às vezes, pouco antes de se dedicar ao trabalho, ele cruzava o caminho de uma jovem Anna d'Essling, esposa de Masséna. Lesson, que estava bem ciente de sua situação social, nunca disse nada; mas em seus escritos, descreveu Anna como "uma mulher de excepcional beleza, elegância e educação".
Suponho que seja por isso que, quando descobriu o beija-flor de cabeça ametista entre os espécimes do Duque, ele pensou nela e o batizou em sua homenagem. O que é mais difícil imaginar é o que o ornitólogo francês pensaria se lhe disséssemos que estamos fazendo o beija-flor "evoluir", transformando-se para sempre.
Evolução ao vivo
Cheguamos a esta história (e ao estudo de Biologia da Mudança Global que a apoia) graças a um post de Carlos Cabido no BlueSky. É, como diz o ecologista evolucionista, "mais um caso de evolução rápida que gerou mudanças adaptativas observáveis em um período muito curto".
Mas, vamos começar do início: pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, analisaram a expansão populacional e as mudanças morfológicas dos bicos dos beija-flores em relação a um recipiente muito específico: os bebedouros que, desde a década de 1930, são utilizados na ...
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