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Glifosato: solução agrícola ou risco à saúde?

O glifosato é um herbicida amplamente utilizado na agricultura moderna, especialmente em grandes culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A indústria o desenvolveu na década de 1970 e, desde então, produtores rurais o adotaram como ferramenta central no manejo de plantas daninhas em diversos países, incluindo o Brasil. Essa popularidade se relaciona diretamente à […]

26 fev 2026 - 20h00
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O glifosato é um herbicida amplamente utilizado na agricultura moderna, especialmente em grandes culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. A indústria o desenvolveu na década de 1970 e, desde então, produtores rurais o adotaram como ferramenta central no manejo de plantas daninhas em diversos países, incluindo o Brasil. Essa popularidade se relaciona diretamente à eficiência no controle de ervas indesejadas e ao custo relativamente baixo, fatores que influenciam de forma imediata a produtividade agrícola.

Ao longo dos anos, o glifosato entrou de vez na pauta de debates técnicos e regulatórios. Pesquisadores, órgãos de saúde, agências ambientais e setores do agronegócio analisam constantemente seus efeitos sobre o meio ambiente e a saúde humana. Assim, a discussão se organiza em torno de um ponto central: como equilibrar os benefícios econômicos e operacionais do produto com os possíveis riscos associados ao uso prolongado e em larga escala.

O que é o herbicida glifosato e como ele age nas plantas?

O glifosato é um herbicida de ação sistêmica e não seletiva. Em outras palavras, ele tende a afetar muitas espécies de plantas ao mesmo tempo. Ele inibe uma enzima conhecida como EPSPS (5-enolpiruvilshiquimato-3-fosfato sintase), que integra a chamada via do ácido chiquímico. Essa via responde pela síntese de aminoácidos aromáticos essenciais para o crescimento vegetal, como triptofano, tirosina e fenilalanina.

Quando o agricultor aplica o glifosato sobre folhas ou outras partes verdes, as plantas absorvem o produto e o transportam pela seiva até os pontos de crescimento. A partir daí, o herbicida bloqueia a produção desses aminoácidos e interrompe processos metabólicos importantes. Como consequência, ele reduz a fotossíntese e, gradualmente, provoca a morte do vegetal. Esse mecanismo explica por que os sintomas não surgem de forma imediata, mas apenas alguns dias após a aplicação.

Outro aspecto relevante é que o glifosato funciona como um herbicida de pós-emergência, ou seja, age principalmente em plantas daninhas que já germinaram. Em cultivos com variedades geneticamente modificadas tolerantes ao glifosato, o produtor aplica o produto sobre a lavoura e elimina apenas as ervas competidoras. Assim, ele preserva a cultura principal e mantém o controle de plantas daninhas de forma mais simples.

Glifosato: quais são os principais usos e benefícios na agricultura?

O uso do glifosato se associa, sobretudo, ao manejo de plantas daninhas em sistemas de produção em larga escala. Na agricultura brasileira, agricultores o utilizam com frequência em áreas de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e pastagens. Além disso, o produto também entra no manejo de pomares, florestas plantadas e até em áreas não agrícolas, como rodovias e ferrovias, para controle de vegetação.

Entre os benefícios econômicos e operacionais normalmente associados ao glifosato, destacam-se:

  • Redução de custos operacionais: o produto permite menor número de operações mecânicas para capina ou gradagem, o que reduz gastos com combustível e mão de obra.
  • Facilidade de manejo em áreas grandes: o controle químico costuma ser mais rápido em extensões amplas de lavoura, o que otimiza o tempo de trabalho.
  • Apoio ao plantio direto: o herbicida facilita sistemas em que o solo recebe menor revolvimento. Desse modo, ele ajuda na manutenção da palhada e na conservação do solo.
  • Amplia a janela de plantio: ao controlar plantas daninhas com mais agilidade, o glifosato aumenta a flexibilidade de datas de semeadura.

Do ponto de vista econômico, muitos estudos apontam que o glifosato eleva a produtividade e reduz perdas causadas pela competição de ervas daninhas por luz, água e nutrientes. Esses ganhos costumam se mostrar relevantes para a sustentabilidade financeira de propriedades de diferentes portes. Além disso, o uso adequado pode diminuir a necessidade de revolvimento intenso do solo, o que contribui para reduzir erosão e compactação.

Quais são os riscos e controvérsias ligados ao glifosato?

Apesar dos benefícios operacionais, o glifosato enfrenta questionamentos ligados à saúde humana, ao meio ambiente e à resistência de plantas daninhas. A literatura científica reúne estudos com resultados distintos, o que leva agências regulatórias a reavaliar periodicamente o produto. Além disso, novas metodologias de pesquisa surgem com frequência e ampliam o volume de dados disponíveis.

Os principais pontos de atenção incluem:

  1. Saúde humana:
    • Pesquisas investigam possíveis relações entre exposição ao glifosato e efeitos como irritações de pele e olhos em situações de manuseio inadequado.
    • Estudos toxicológicos avaliam potenciais efeitos crônicos, incluindo risco carcinogênico e impactos hormonais, com conclusões que variam entre organismos internacionais.
    • Agências reguladoras definem limites de exposição aceitáveis e níveis máximos de resíduos em alimentos, com base em avaliações de risco.
    • Além disso, programas de educação orientam trabalhadores sobre manuseio seguro, higienização e descarte correto de embalagens.
  2. Impactos ambientais:
    • O produto pode alcançar corpos d'água por escoamento superficial, especialmente em áreas com manejo inadequado ou ausência de faixas de proteção.
    • Diversos estudos analisam efeitos sobre organismos aquáticos, microrganismos do solo e biodiversidade em geral.
    • O tempo de permanência no ambiente varia conforme tipo de solo, clima, manejo e formulação usada.
    • Em resposta, técnicos recomendam práticas de conservação de solo e água, como terraços e barreiras vegetais.
  3. Resistência de plantas daninhas:
    • O uso repetido e intenso favorece o surgimento de daninhas resistentes ao glifosato em várias regiões do Brasil e do mundo.
    • Essas populações resistentes exigem mistura de produtos, aumento de doses ou mudança de estratégias de manejo.
    • Como consequência, os custos de controle sobem e a eficácia do herbicida cai ao longo do tempo.

Glifosato é permitido no Brasil? Como é regulado e quais são as regras atuais?

No Brasil, o glifosato permanece permitido e integra a lista de defensivos agrícolas mais registrados. A regulamentação ocorre de forma conjunta por três órgãos federais:

  • MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária): cuida do registro agrícola, rótulos, bula e recomendações de uso.
  • ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): avalia riscos à saúde humana, define limites máximos de resíduos em alimentos e condições de uso seguro.
  • IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis): analisa impactos ambientais, classificação de periculosidade e medidas de mitigação.

Para que o agricultor aplique o glifosato, ele precisa seguir regras específicas, que incluem:

  1. Registro do produto: somente empresas com formulações registradas nesses órgãos podem comercializar o herbicida.
  2. Receituário agronômico: um profissional habilitado deve orientar a aplicação por meio de receita agronômica.
  3. Uso de EPIs: o trabalhador deve utilizar equipamentos de proteção individual indicados na bula, como luvas, máscara e óculos.
  4. Respeito às doses e intervalos: o produtor precisa seguir as quantidades máximas, épocas de aplicação e intervalos de segurança antes da colheita definidos em rótulo e bula.
  5. Faixas de segurança ambiental: o responsável pela aplicação deve obedecer às distâncias mínimas de cursos d'água, áreas de preservação e zonas urbanas.

Além disso, programas oficiais monitoram resíduos de agrotóxicos em alimentos produzidos no país e comparam os resultados com os limites máximos de resíduos estabelecidos. Quando os órgãos constatam irregularidades, eles podem intensificar ações de fiscalização, impor restrições de uso ou iniciar reavaliações do ingrediente ativo. Em alguns casos, os órgãos também exigem ajustes de rótulo, inclusão de novas advertências e mudanças nas recomendações técnicas.

Como equilibrar os prós e contras do glifosato na agricultura?

O uso do glifosato evidencia um desafio típico da agricultura contemporânea: garantir alta produtividade e abastecimento de alimentos e, ao mesmo tempo, reduzir impactos ambientais e riscos à saúde. De um lado, o herbicida oferece vantagens econômicas e operacionais importantes, favorecendo o plantio em larga escala e auxiliando em sistemas conservacionistas como o plantio direto. De outro lado, surgem questões ambientais, de saúde e de resistência de plantas daninhas que exigem atenção permanente.

Em diferentes países, inclusive no Brasil, órgãos públicos mantêm o glifosato sob monitoramento científico e regulatório constante. Com isso, eles podem ajustar limites, recomendações e formas de uso sempre que surgem novas evidências. A adoção de práticas como rotação de culturas, diversificação de métodos de controle de plantas daninhas e capacitação de trabalhadores tende a se tornar decisiva para reduzir riscos e prolongar a eficácia do produto.

Nesse cenário, a decisão sobre como empregar o glifosato depende de informações técnicas atualizadas, cumprimento rigoroso das normas e busca de alternativas complementares. Com essa combinação, o produtor constrói um manejo mais equilibrado, que considera não apenas o curto prazo da safra, mas também a sustentabilidade econômica, ambiental e social da produção agrícola ao longo do tempo.

Glifosato_depositphotos.com / Pixavril
Glifosato_depositphotos.com / Pixavril
Foto: Giro 10
Giro 10
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