Carlinhos Maia é multado em R$ 1 milhão por vídeo de gaivota comendo churrasco em Fernando de Noronha
Influenciador passeava de barco quando amigos alimentaram aves marinhas, prática que é proibida por lei ambiental
O influenciador digital Carlinhos Maia, de 34 anos, foi multado em R$ 1 milhão por divulgar imagens de animais silvestres em situação de abuso em Fernando de Noronha, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O Instituto divulgou uma nota em que comunica sobre o caso nesta segunda-feira, 13.
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O órgão de proteção ambiental acusou o influenciador de publicar um vídeo nas redes sociais em que amigos dele aparecem alimentando gaivotas, durante um passeio de barco, com carne de churrasco. A prática é proibida por lei e considerada abuso, já que pode afetar a saúde dos animais e do meio ambiente. O caso aconteceu em 4 de outubro de 2025.
A ação foi enquadrada como infração ambiental. Em nota, o ICMBio disse que recebeu uma denúncia sobre os vídeos publicados por Carlinhos Maia. As imagens, que não foram divulgadas pelo órgão, mostram a alimentação de aves marinhas da espécie Fregata magnificens — gaivotas — com carne de churrasco.
Segundo o Instituto, a prática de alimentar animais silvestres com itens que não fazem parte da dieta natural deles é prejudicial, e pode causar danos à saúde das gaivotas, além de alterar seus comportamentos naturais e impactar o equilíbrio ecológico.
“As pessoas diretamente envolvidas na alimentação das aves foram autuadas com base no Art. 90 do Decreto Federal nº 6.514/2008. Já a divulgação das imagens que evidenciam a prática irregular configura infração ambiental prevista no Art. 33 do mesmo decreto”, diz a nota.
O valor de R$ 1 milhão da multa aplicada a Carlinhos se deu pela gravidade da infração, relevância ambiental da área protegida e a ampla disseminação de conteúdo nas redes sociais, com potencial de incentivar condutas inadequadas. Também foi considerada a capacidade econômica dele, resultando na aplicação do valor máximo previsto para o enquadramento, segundo o ICMBio.
Carlinhos chama multa de ‘um dos maiores absurdos judiciários’
Em seu perfil no Instagram, Carlinhos Maia, que tem 35 milhões de seguidores, publicou uma série de áudios nos Stories, dando sua versão do que aconteceu e expressando indignação.
Ele contou que esteve em Fernando de Noronha e que sempre evitou contato com animais silvestres enquanto esteve na ilha, mas que durante um passeio de barco com amigos, eles deram pedaços de churrasco de frutos do mar às aves marinhas.
“O pessoal que estava comigo se empolgou e deu um pedaço de camarão a uma das aves lá. E eu apenas filmei, esqueci completamente que era sujeito a multa, alimentar aves”. Carlinhos disse que ele e os amigos foram avisados pelo barqueiro sobre a proibição de alimentar as aves, e que apagou os Stories assim que soube. Ele disse que até estaria disposto a pagar uma multa, mas se surpreendeu com o valor aplicado.
“Agora vem a parte mais absurda que eu já vi em toda a minha vida. Presta atenção. Chegou um processo para mim pedindo R$ 1 milhão. Processo alegando que eu estava usando a imagem da gaivota e que eu estava fazendo exploração de animais. E a pessoa que alimentou a gaivota, o processo chegou R$ 5 mil. É um negócio tão absurdo esse órgão estar fazendo isso”, disse.
“Eu aceito a multa, não tem problema, mas a multa justa, como foi feita para as pessoas que alimentaram a gaivota. Aí estão me pedindo um milhão de reais porque eu fiz um Stories”, seguiu Carlinhos indignado. “Agora apelo para a justiça brasileira, porque se isso vier a acontecer de fato, vai ser um dos maiores absurdos judiciários que eu vou presenciar na minha vida toda”, completou.
O que diz a defesa de Carlinhos Maia
Carlinhos Maia divulgou vídeos de seu advogado, Rousseau Omena Domingos, falando sobre o caso. Ele chamou a multa de “absurda” e defendeu que o influenciador não cometeu nenhuma ilicitude ao divulgar o vídeo, porque não ganhou dinheiro com isso. “Você não praticou nenhuma conduta ilícita, você não alimentou pássaro algum, você apenas estava em seu momento de lazer e postou em suas redes sociais”, disse.
Ele afirmou ainda que o ICMBio fez uma interpretação equivocada do Artigo 33 do Decreto 5.514/2008. O decreto fala que explorar ou fazer uso comercial da imagem de um animal em situação de abuso ou maus-tratos é crime. “O ato de explorar não é de publicar, não é de postar, é totalmente distinto”, explicou.
Para o advogado, a conduta de Carlinhos não foi de ganhar dinheiro com o vídeo, apenas de compartilhar um momento particular, e por isso não se enquadraria na infração. A questão é que o ICMBio entende que, por Carlinhos usar a rede social como forma de ganhar dinheiro, ele teria monetizado o conteúdo, segundo Rousseau.
“A multa é exorbitante, é um delírio querer cobrar R$ 1 milhão, isso é totalmente desproporcional. Então a gente ingressou com essa ação na justiça e estamos buscando uma tutela antecipada no sentido de ter reconhecido a nulidade dessa penalidade”, finalizou.
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