Luciano Hang ironiza PEC do fim da escala 6x1 e defende jornada 4x3: 'Se for para quebrar o Brasil, que seja rápido'
Empresário da Havan criticou proposta aprovada pela Câmara e afirmou que mudança pode aumentar inflação e provocar fechamento de empresas
O empresário Luciano Hang, dono da Havan, voltou a criticar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6 por 1 e a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas. O empresário ironizou a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados e disse defender a implantação imediata de uma escala 4 por 3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
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Segundo Hang, a mudança representaria uma "desgraça" para a economia brasileira. "Se for para quebrar o Brasil, que seja rápido", afirmou o empresário à Folha de S.Paulo. Ainda segundo ele, a redução da jornada poderia causar uma onda de fechamento de pequenas e médias empresas, além de elevar os preços ao consumidor.
Na entrevista à Folha divulgada nesta sexta-feira, 29, o empresário afirmou que os custos das empresas poderiam aumentar entre 15% e 20% com a nova regra trabalhista. Para Hang, esse impacto acabaria sendo repassado aos consumidores finais. "Do couro sai a correia. Esses custos que vão ser colocados para a indústria, comércio e serviços serão repassados nos preços", declarou.
Hang também afirmou que a inflação provocada por esse cenário reduziria o poder de compra dos trabalhadores. Segundo ele, muitos brasileiros poderiam precisar buscar uma segunda fonte de renda para compensar a perda financeira. O empresário classificou ainda as leis trabalhistas brasileiras como medidas criadas por "pessoas que não gostam de trabalhar".
Outro ponto criticado por Hang foi o artigo 386 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que garante às mulheres ao menos um domingo de folga a cada 15 dias. A regra, criada para assegurar descanso às trabalhadoras, especialmente diante da chamada dupla jornada, foi reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023 após casos de descumprimento da norma.
A PEC criticada por Hang foi aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados nesta semana e agora segue para análise do Senado Federal. O texto prevê o fim da escala 6 por 1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um, além da redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
A proposta estabelece uma fase de transição. Dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional, trabalhadores regidos pela CLT passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana e jornada máxima de 42 horas semanais. Após 14 meses da promulgação, a carga horária será reduzida oficialmente para 40 horas por semana.
O texto também prevê regras específicas para categorias com regimes diferenciados, como profissionais da saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, além de medidas transitórias para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e contratos terceirizados ligados à administração pública. Para entrar em vigor, a PEC ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado e promulgada pelo Congresso Nacional.
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