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Ouro da floresta: por que o Kynam é a madeira mais cara do mundo

Em um mercado global atento a matérias-primas raras, o Agarwood, que muitos conhecem em suas formas mais nobres como Kynam ou Kyara, ganhou o apelido de "ouro da floresta"

28 fev 2026 - 11h33
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Em um mercado global atento a matérias-primas raras, o Agarwood, que muitos conhecem em suas formas mais nobres como Kynam ou Kyara, ganhou o apelido de "ouro da floresta". Hoje, especialistas o classificam como a madeira mais cara do mundo. Em variedades mais puras, ele alcança valores próximos de US$ 10 mil por grama, superando o preço de muitos metais preciosos. Por isso, o interesse por essa resina aromática cresce rapidamente e levanta questões sobre origem, valor, sustentabilidade e até sobre a viabilidade de cultivo em países fora de seu habitat tradicional.

O Kynam resulta de um processo natural complexo que envolve fungos, bactérias e a resposta de defesa de árvores do gênero Aquilaria. Quando o tronco sofre infecção ou algum ferimento, a planta produz uma resina protetora. Essa substância impregna a madeira com um aroma profundo, resinoso e adocicado, que muitos consideram raro e altamente desejado. No entanto, apenas uma pequena fração das árvores desenvolve essa resina em quantidade e qualidade adequadas para a classificação como Kynam ou Kyara. Esse cenário ajuda a explicar a extrema escassez e os preços elevados.

Onde nascem as árvores Aquilaria e por que o Agarwood é tão raro?

As árvores do gênero Aquilaria crescem de forma nativa em regiões tropicais úmidas da Ásia. Elas se concentram principalmente em países como Vietnã, Laos, Camboja, Tailândia, Malásia, Indonésia, Índia e Bangladesh. Os botânicos já descreveram várias espécies, porém nem todas produzem a resina perfumada. Essa limitação reduz de forma significativa o potencial de oferta. Em geral, florestas densas, solos bem drenados e alta umidade compõem o cenário típico para o desenvolvimento dessas árvores. Muitas vezes, elas surgem em áreas remotas e de difícil acesso.

A raridade do Agarwood de alta qualidade deriva de três fatores principais. Primeiro, a baixa probabilidade de infecção natural. Segundo, o longo tempo necessário para a formação e a concentração da resina. Terceiro, a intensa exploração histórica. Em entrevista fictícia, a botânica Drª Helena Matsuda, pesquisadora de ecologia de florestas tropicais, resume esse quadro. Ela afirma: "Menos de 10% das Aquilarias em ambiente natural chegam a produzir resina em nível comercial, e uma parcela ainda menor atinge o padrão de Kynam. Além disso, muitas áreas sofreram superexploração ao longo do século XX, o que reduziu drasticamente as populações silvestres".

Por que o Kynam é a madeira mais valiosa do mundo?

O Kynam representa o ápice da qualidade dentro do universo do Agarwood. Especialistas descrevem seu aroma como extremamente complexo. Ele apresenta camadas que lembram madeira úmida, ervas medicinais, mel, fumo doce e um fundo resinoso que permanece por horas. Essa combinação sensorial torna pequenas quantidades suficientes para perfumar ambientes e compor fragrâncias exclusivas. Além disso, muitos apreciadores valorizam o aspecto espiritual e meditativo desse perfume.

O perfumista fictício Eduardo Nassar, especialista em matérias-primas orientais, explica esse mercado de nicho. Segundo ele: "No mercado de nicho, um grama de Kynam pode alcançar até US$ 10 mil, dependendo da origem e do grau de pureza. Em perfumaria de luxo, alguns extratos entram apenas em microdoses, como assinatura secreta das casas mais tradicionais". Em listas especializadas de commodities raras, o Agarwood aparece de forma consistente entre as substâncias naturais mais caras do planeta. Ele se posiciona ao lado de itens como açafrão de alta qualidade e certos tipos de caviar. Em alguns círculos, colecionadores tratam o Kynam quase como obra de arte olfativa.

Como o Agarwood é usado na perfumaria, na medicina tradicional e em rituais religiosos?

Na perfumaria, o óleo de Agarwood, que muitos chamam de oud, surge por meio da destilação da madeira resinosa. Marcas de alta perfumaria no Oriente Médio, na Europa e na Ásia utilizam esse óleo em fragrâncias intensas, amadeiradas e orientais. Em alguns países, pessoas queimam o Agarwood lentamente em forma de lascas ou incensos. Assim, elas perfumam casas, templos e locais de cerimônia com uma fumaça densa e aromática.

Na medicina tradicional, especialmente em sistemas como o Ayurveda e a medicina tradicional chinesa, a madeira resinosa e seus extratos aparecem em fórmulas históricas. Essas composições buscam relaxamento, equilíbrio respiratório e digestivo. Já em contextos religiosos, comunidades budistas, islâmicas e xintoístas valorizam o Agarwood em diversos rituais. O perfume do Kynam entra como oferenda, símbolo de purificação e conexão espiritual. Em muitas culturas asiáticas, queimar essa madeira indica respeito em cerimônias familiares e festividades importantes. Além disso, alguns praticantes associam o aroma ao aprofundamento da meditação.

Quais são os preços e como funciona o mercado do Agarwood?

O mercado global do Agarwood se organiza de forma segmentada por qualidade, origem e forma de apresentação. No topo da escala aparecem o Kynam e o Kyara. Eles se destinam principalmente a colecionadores, mestres de incenso e perfumaria de altíssimo padrão. Logo abaixo, surgem madeiras de grau intermediário, usadas em incensos premium. Por fim, óleos e extratos de qualidade comercial entram em perfumes e produtos aromáticos de maior escala.

  • Lasca de Kynam de alta pureza: até ~US$ 10.000 por grama em nichos colecionáveis;
  • Agarwood de boa qualidade: centenas a milhares de dólares por quilo, dependendo da origem;
  • Óleo de oud destilado: valores que podem superar alguns milhares de dólares por 10 a 50 ml em safras raras.

Especialistas apontam que a ausência de padronização global torna o mercado opaco e pouco transparente. Dessa forma, compradores e vendedores realizam muitas negociações de forma privada e recorrem a leilões discretos, frequentemente em países asiáticos. Essa dinâmica reforça a aura de exclusividade que cerca o Kynam. Além disso, cresce o risco de fraudes e adulterações, o que obriga compradores sérios a buscar fornecedores confiáveis e certificações quando disponíveis.

Existe produção ou cultivo de Agarwood no Brasil?

Nos últimos anos, projetos experimentais de cultivo de Aquilaria surgiram em diferentes regiões tropicais fora da Ásia. Nesse contexto, o Brasil entrou nesse mapa. Em estados com clima quente e úmido, como partes da Amazônia, do Nordeste e do litoral do Sudeste, algumas iniciativas privadas e acadêmicas estudam a adaptação das espécies. Paralelamente, pesquisadores testam técnicas de inoculação para induzir a formação da resina de forma controlada.

A Drª Helena Matsuda destaca um ponto importante sobre esse movimento. Ela afirma: "Há plantios experimentais no Brasil, mas ainda em escala limitada. A produção de Agarwood comparável às melhores referências asiáticas demanda tempo, conhecimento técnico e seleção genética cuidadosa". Até 2026, o país ainda não figura entre os grandes produtores mundiais de Agarwood. Contudo, as pesquisas avançam em temas como manejo florestal, produtividade e desenvolvimento de linhagens adequadas ao clima brasileiro. Além disso, alguns projetos avaliam o potencial de integrar Aquilaria a sistemas agroflorestais com espécies nativas, o que pode gerar renda e conservar a biodiversidade.

Como surgiu a fama do Kynam ao longo da história?

A história do comércio de Agarwood remonta a antigas rotas que ligavam o Sudeste Asiático ao Oriente Médio e ao Leste Asiático. Registros históricos mencionam a madeira aromática em crônicas chinesas, textos árabes e documentos de comerciantes indianos. Esses relatos mostram que o produto circulava como bem de luxo muito antes da globalização moderna. Em cortes imperiais e palácios, as elites reservavam o Kynam a cerimônias importantes e a figuras de alta posição social.

Curiosidades frequentemente citadas por historiadores incluem:

  1. O uso do Agarwood em misturas de perfumes que viajavam pela Rota da Seda e por rotas marítimas no Oceano Índico;
  2. Registros de impostos específicos sobre a madeira em portos asiáticos medievais;
  3. O hábito de famílias nobres de guardar pequenas caixas com lascas de Kyara como forma de patrimônio portátil.

Com a popularização do oud na perfumaria ocidental a partir do início do século XXI, o interesse por suas variantes mais raras, como o Kynam, ganhou novo impulso. Consequentemente, a pressão sobre as espécies de Aquilaria aumentou de forma significativa. Esse movimento ampliou os debates sobre conservação, comércio ético e responsabilidade ambiental. Hoje, muitos consumidores de alto padrão já perguntam sobre procedência e impacto socioambiental antes de adquirir Agarwood.

Como está a sustentabilidade e a conservação das Aquilarias?

Devido à extração intensa ao longo de décadas, várias espécies de Aquilaria entraram em listas de proteção internacional, incluindo a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES). Esse enquadramento regula o comércio internacional de Agarwood silvestre e exige licenças e documentação específica. Assim, governos tentam coibir a exploração ilegal e o contrabando que ainda ocorrem em algumas regiões.

Para reduzir a pressão sobre as populações naturais, empresas e governos investem em diversas frentes complementares:

  • plantios comerciais de Aquilaria em sistemas agroflorestais;
  • métodos de inoculação controlada para induzir a formação de resina sem devastar florestas nativas;
  • programas de rastreabilidade e certificação de origem;
  • projetos de conservação in situ e bancos de sementes de espécies ameaçadas.

O especialista em perfumaria Eduardo Nassar resume de forma técnica o cenário atual do mercado. Segundo ele: "O futuro do Agarwood, inclusive do Kynam, depende do equilíbrio entre demanda e manejo responsável. A tendência aponta para um consumidor que valoriza não só a raridade do aroma, mas também a garantia de que a madeira veio de forma legal e sustentável". Ao que tudo indica, o "ouro da floresta" continuará despertando grande interesse global. Ao mesmo tempo, esse fascínio impulsiona debates sobre conservação, comércio justo, inovação no cultivo de espécies arbóreas raras e inclusão de comunidades locais na cadeia de valor.

Kynam_Phu-Kien_Chien Dan
Kynam_Phu-Kien_Chien Dan
Foto: Giro 10
Giro 10
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