Entenda o que é o El Niño e como o fenômeno afeta o clima no Brasil
Aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico altera regime de chuvas e contribui para a elevação das temperaturas globais
O El Niño é um fenômeno climático e oceânico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. O evento altera os padrões de vento e pressão atmosférica em escala global, modificando a distribuição de chuvas e contribuindo para o aumento das temperaturas médias da Terra.
Como o fenômeno funciona
Em condições normais, ventos conhecidos como alísios sopram de leste para oeste, empurrando as águas quentes da superfície em direção à Ásia e à Oceania. Durante a ocorrência do El Niño, esses ventos enfraquecem ou mudam de direção. Isso permite que a água quente se espalhe para o centro e o leste do Pacífico, próximo à costa da América do Sul.
Essa mudança na distribuição de calor altera a chamada Circulação de Walker, reorganizando sistemas de alta e baixa pressão e deslocando as regiões de formação de nuvens e tempestades tropicais.
Origem do nome e duração
O termo "El Niño" (o menino, em espanhol) surgiu no século XIX, quando pescadores do Peru e do Equador notaram o aquecimento anormal das águas próximo ao mês de dezembro. A nomenclatura foi uma referência ao menino Jesus, celebrado no Natal. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e tem duração média de nove a 12 meses, podendo se estender.
Impactos no Brasil
No território brasileiro, o El Niño provoca efeitos contrastantes dependendo da região geográfica:
- Norte e Nordeste: O fenômeno inibe a formação de nuvens, resultando em secas severas e temperaturas elevadas. A falta de chuva afeta o nível de reservatórios, prejudica a agricultura e impacta setores de infraestrutura, como a navegação e a geração de energia.
- Sul e Sudeste: Ocorre o efeito inverso. A mudança na circulação atmosférica bloqueia frentes frias e aumenta o volume de precipitações, causando chuvas intensas, tempestades e elevando o risco de enchentes e deslizamentos, especialmente na Região Sul.
Diferença para o La Niña
Enquanto o El Niño é a fase quente do ciclo, o La Niña representa o seu oposto. O La Niña ocorre quando os ventos alísios sopram com mais intensidade do que o normal, provocando o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial. No Brasil, o La Niña costuma causar chuvas intensas no Norte e Nordeste e secas no Sul.
Alerta para novos recordes
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu alertas recentes indicando que o El Niño deve retornar de forma intensa entre maio e julho de 2026. Modelos climáticos apontam que a combinação do fenômeno com o aquecimento global em curso pode impulsionar as temperaturas do planeta a novos recordes, além de aumentar a frequência de eventos climáticos extremos em diversos continentes.
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