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A nova geração de investidores-anjo do Brasil

Número de pessoas que apostam em empresas em estágio inicial no País já chega a 7 mil,segundo a Anjos do Brasil

6 jun 2018
04h02
atualizado às 16h06
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O empresário Jad Antoun, de 32 anos, dono de uma rede de supermercados na Grande São Paulo, estava desanimado com seus investimentos por causa da crise econômica, quando descobriu as startups. Ao apostar em uma empresa que não era sua, pensou ele, poderia ter a chance de obter grandes retornos ao mesmo tempo em que aprendia mais sobre tecnologia. A ideia o seduziu e agora ele faz parte de um crescente grupo de brasileiros que decidiram ajudar empresas nascentes como investidores-anjo.

Antoun começou sua jornada no ano passado, quando recebeu um e-mail sobre um novo grupo de investidores-anjo formados por alunos e ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), o GV Angels. "De cara, a possibilidade de alto retorno em um investimento me atraiu", disse o empresário ao Estado. "Mas vi que também teria a oportunidade de conhecer mais sobre tecnologia."

Atualmente, Antoun investe em duas startups, sendo que em uma delas fez questão de ser membro do conselho. "Sempre achei que ia criar minha própria empresa", diz. "Mas acho que investimento também é uma forma de empreender."

Curiosidade. O empresário é um dos mais de 7 mil investidores-anjo ativos no País, segundo a última estimativa da Anjos do Brasil, concluída no fim de 2016. O número vem crescendo em média 15% desde 2011 quando 5,3 mil pessoas optavam por esse tipo investimento. As expectativas de expansão da atividade são animadoras, segundo Maria Rita Spina, diretora da Anjos do Brasil. "As startups estão mais visíveis e isso tem despertado a curiosidade de mais pessoas", afirma ela. "É um movimento que não deve parar."

A crise econômica ajudou. Com juros em queda, aplicar em renda fixa significou ganhar pouco ou mesmo perder dinheiro para a maioria dos investidores. O jeito foi procurar opções mais arriscadas. Além disso, as histórias de sucesso de grandes empresas de tecnologia que nasceram como startups, como Google e Facebook, também ajudaram a captar a atenção de potenciais investidores.

Mão na massa. Para valer a pena, o melhor investimento anjo tem forte componente prático. Ou seja, quando o investidor também é membro do conselho e faz mentoria, o empreendedor se beneficia e tem mais chances de ter sucesso.

"A maioria dos investidores- anjo não aplica só pelo capital", diz Mike Ajnsztajn, fundador da aceleradora Ace. "E os empreendedores escolhem investidores pela ajuda que podem dar."

Mas nem tudo são flores no mundo dos "anjos". Para entrar neste mercado, além de dinheiro no bolso e tempo disponível é preciso ter estômago para aguentar os altos e baixos das startups. A alta mortalidade é uma das características principais desse segmento, que tem como lema "errar rápido".

"Acho que vivemos um momento excelente, somos uma das principais economias emergentes do mundo e estamos preparando investidores para aproveitar isso", diz Camila Farani, investidora-anjo e fundadora daG2 Capital.

Outros casos. A advogada Sandra Norões soube da existência de startups há oito anos, quando leu pela primeira vez sobre o Facebook. À época, já era uma investidora ativa em CDB e imóveis. "Lembro que achei tudo muito interessante, mas era algo muito distante da realidade brasileira", diz.

Foi somente em 2015 que mudou de ideia, depois que as startups começaram a ganhar atenção da mídia e aparecer em jornais, filmes e na TV. Sem conhecer ninguém do mercado de tecnologia, a advogada foi buscar ajuda de uma aceleradora em São Paulo.

Depois de participar de muitas palestras e eventos finalmente decidiu, no início de 2017, entrar de cabeça no mundo dos investidores. "A minha meta é ter dez startups no meu portfólio até o fim do ano", diz com segurança ao afirmar que já investe em cinco. "Quero que 10% dos meus investimentos sejam em startups. Eu acredito no potencial do empreendedorismo nacional."

Para profissionalizar o processo, Sandra criou uma empresa própria para gerir os novos investimentos. A GravaTech, com sede em Recife, procura só empresas de tecnologia.

"Há, sem dúvida, muito risco. Mas o investidor está muito próximo do dia a dia, da evolução da empresa e sabe o que está acontecendo. Você pode ajudar durante todo o processo", diz.

Em 2015, o empresário Ricardo Carvalho, de 42 anos, se viu numa encruzilhada: investidor tradicional há anos, sabia que os sinais de queda da economia naquele ano prejudicariam suas aplicações. Era hora de olhar para o mercado e ver o que havia de novo.

"Eu sempre tive apetite a risco e isso garantiu que eu não temesse olhar para novos modelos", conta. "Não faz mais sentido investir na velha economia."

A primeira aplicação foi há três anos em uma startup de comércio eletrônico, que faliu meses depois. O baque, no entanto, não enfraqueceu o desejo de Carvalho. Foi quando percebeu que aprender sozinho não era a melhor estratégia. Ele decidiu participar de grupos de investidores para mitigar riscos.

Hoje, ele fala com orgulho das três startups que viu morrer. Foram elas, diz Carvalho, que o levaram a ter a experiência para compartilhar com um grupo de investidores em Minas Gerais. Hoje, ele investe em dez startups.

"Estar conectado e compartilhar informações é a melhor forma de diminuir os riscos nesse tipo de investimento", diz ele. "Nos grupos encontro especialistas em todas as áreas."

Hoje, Carvalho se considera um investidor veterano. "Já passei da fase de ter muitas dúvidas, agora quero ajudar", diz. /COLABOROU CLAUDIA TOZETTO

Estadão Conteúdo

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