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Merck e The Green Hub anunciam parceria para acender o mercado de cannabis no Brasil

Multinacional alemã e aceleradora querem educar sobre o potencial de produtos à base de maconha no mercado brasileiro e atrair startups para o setor

16 jul 2020
07h11
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A Merck, gigante alemã da indústria química e farmacêutica, anuncia nesta quinta-feira, 16, uma parceria com o hub de inovação brasileiro The Green Hub (TGH) para avançar o mercado de cannabis no Brasil. Na ativa desde 2016, o TGH é um dos primeiros hubs de inovação da América Latina voltado para o segmento. A ideia do projeto, que foi estabelecido com o braço de ciências da Merck, é educar investidores, legisladores e consumidores e atrair startups para o setor, que ainda engatinha em comparação com os EUA e países da Europa.

"No final de 2018, realizamos um estudo que mostrava que, caso tivéssemos uma legislação mais ampla sobre o assunto, o mercado brasileiro teria potencial de R$ 4,7 bilhões. O Brasil tem potencial para ser um dos líderes globais no segmento. Tanto na produção quanto no consumo de produtos relacionados à cannabis", explica ao Estado Marcelo Grecco, cofundador e líder de desenvolvimento de Negócios do TGH.

Ele, porém, admite que ainda há um longo caminho pela frente. O projeto com a Merck terá início nesta quinta, 16, com uma série de lives com especialistas do setor, que devem se estender ao longo do ano. Seu propósito é educacional. Em agosto, a parceria fará uma chamada de startups, e os principais projetos serão convidados para um evento em dezembro. A partir disso, a Merck poderá oferecer parte de sua infraestrutura, como laboratórios e apoio científico, para as empresas novatas, enquanto o TGH poderá desenvolver projetos de aceleração e até de captação de investimentos. "Até um produto ou serviço chegar ao mercado, pode demorar pelo menos dois anos, então é preciso discutir a legislação agora", diz Grecco.

Segundo o executivo, o interesse da Merck vai além dos possíveis usos medicinais da maconha - isso explica a parceria com a divisão de ciências da multinacional. A ideia é explorar os potenciais e o cultivo do cânhamo, planta da mesma espécie da maconha mas com uma concentração de no máximo 0,3% de THC, substância responsável pelos efeitos psicoativos da erva. "É quase um projeto de agro, mas que passa pela liberação do cultivo dessa planta", diz ele.

No ano passado, a holding que controla o TGH recebeu um investimento de R$ 3 milhões de um escritório que representa uma família paulistana - o nome ele não abre. Desses, R$ 1 milhão foram destinados ao TGH e o restante ao Centro de Excelência Canabinóide, plataforma de pesquisa, acesso e informação médico para a cannabis. Antes disso, os cinco cofundadores haviam colocado cerca de R$ 300 mil do próprio bolso no negócio. Desde então, o hub fez mentoria com duas startups brasileiras voltadas para o mercado de cannabis - uma de comunicação e uma fintech. Os nomes, novamente, não são revelados.

Para Grecco, o mercado brasileiro está em um bom momento para empresas iniciantes. "O mercado americano, que é mais maduro, está fechado para projetos iniciantes. Os investimentos lá só acontecem em projetos mais avançados. Isso é diferente do cenário brasileiro", diz.

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Estadão
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