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Enxurrada de fake news no Whatsapp esconde golpes e vírus

Em tempos de eleição presidencial acirrada, as fake news viraram arma eleitoral para alguns, mas chance de golpe para outros. Proteja-se.

24 out 2018 17h28
| atualizado às 17h46
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Nos tempos do Orkut, eram comuns os “boatos” em tempo de eleição. Hoje, com o Facebook bem mais blindado para esse tipo de ataque, os “boatos” viraram fake news e encontraram no Whatsapp um campo fértil para sua disseminação. No entanto, mais do que interesses eleitoreiros, a maioria das fake news traz uma intenção muito mais complicada: o golpe.

Notícias de fontes duvidosas são disseminadas via apps de mensagens instantâneas ou através de redes sociais. Na maioria das vezes, os remetentes (os que repassam sem ter certeza do conteúdo) não conseguem distinguir o que é verdade e o que é falso. Para se ter uma ideia, essas notícias se espalham 70% mais rápido que as verdadeiras em redes sociais como o Twitter, por exemplo, e, alcançam até 100 vezes mais pessoas.

É o que aponta o maior estudo já realizado sobre a disseminação de notícias falsas na internet, realizado por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), dos Estados Unidos. Se seu inglês estiver afiado, confira este vídeo:

Em tempos de eleição presidencial, essa disseminação acontece três vezes mais rápida. Em setembro último, a Kaspersky Lab já havia alertado sobre uma campanha maliciosa utilizando a corrida eleitoral para roubar dados pessoais.

“Em janeiro deste ano, identificamos também um caso em uma rede social que prometia um suposto vídeo da prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Esse foi mais um golpe que utiliza a curiosidade do usuário para disseminar códigos maliciosos”, alerta Fabio Assolini, analista sênior de segurança do Kaspersky Lab.

Fora do campo político, as técnicas de engenharia social também estão sendo utilizadas para propagar fake news. Há mais de um ano está circulando uma notícia falsa sobre uma nova dipirona importada da Venezuela que, na verdade, conteria um vírus chamado Marburg.

“O mecanismo é sempre o mesmo: eventos de grande interesse e informações de difícil acesso levanta um certo tempo para serem checadas, permitindo com que o boato se espalhe rapidamente”, explica Assolini.

Exemplo de isca e página de fake news, segundo a Kaspersky
Exemplo de isca e página de fake news, segundo a Kaspersky
Foto: Reprodução

Os pesquisadores de segurança da Kaspersky Lab identificaram campanhas no WhatsApp utilizando os institutos de pesquisa com supostos resultados de intenção de voto para o 2º turno das eleições. O que mais chamou a atenção deles foi a ausência de mecanismos de monetização. Em vez disso, o golpe leva os usuários para uma página que dissemina fake news, chamada “maislidashoje.com”.

Para chegar no site de notícias falsa, o usuário precisa clicar no link da mensagem e responder a enquete sobre qual candidato irá votar – a suposta pesquisa pede ainda a cidade e estado do respondente. Ao concluir esta etapa, o usuário tem que compartilhar a fake news com 10 contatos para, supostamente, confirmar que ele não é um robô. Em seguida, ele é direcionado para o site de notícias com o resultado da pesquisa.

“É muito importante saber que os institutos não fazem pesquisas eleitorais pela internet”, analisa Assolini. “Além disso, foi curioso verificar a ausência de anúncios na página principal. Isto indica que o criminoso por trás da campanha está sendo pago por alguém. Outro fato curioso é que o site apresenta notícias falsas que beneficiam ambos os candidatos, o que impede uma conclusão sobre quem é o mandante da campanha. O que podemos concluir é que o golpista ― ou grupo ― por trás das mensagens é o mesmo, pois todos sites falsos estão hospedados no mesmo servidor – que também contém golpes maliciosos. Tanto as mensagens de fake news quanto os phishings que coletamos nas últimas semanas são bloqueados pelas soluções da Kaspersky Lab.”

Segundo a GlobeScan, consultoria de pesquisa de opinião pública, 79% dos usuários da internet em todo o mundo estão preocupados com a precisão das informações na Internet – o que também reforça a preocupação de empresas para auxiliar nesse combate.

“Alguns órgãos públicos e marcas, principalmente as que são utilizadas como ferramentas de disseminação, têm tomado algumas providências para alertarem os usuários das notícias falsas, seja ensinando a identificá-las ou simplesmente averiguando a procedência da fonte”, diz Assolini.

Foto: Rawpixel / Unsplash.com

Os especialistas do Kaspersky Lab dão quatro dicas para que os usuários continuem seguros durante sua navegação:

  1. Sempre verifique a fonte da informação, seja ela uma promoção imperdível ou uma notícia sensacionalista. No caso das fake news, a maioria dos sites falsos são “.com”, ou seja, têm o domínio registrado fora do País. Para ter certeza que a notícia é verdadeira, veja se outros veículos confiáveis publicaram sobre a a mesma notícia;
  2. Desconfie de anúncios e posts patrocinados em redes sociais que pareçam muito sensacionalistas. Na dúvida, não abra nada. Caso você tenha clicado no anúncio, nunca revele informações pessoais ou confidenciais.
  3. Certifique-se de que seu computador e dispositivos móveis estejam atualizados com todas as atualizações de software (navegadores, plug-ins, patches de segurança);
  4. Utilize uma solução de segurança que protege PC, Mac, iPhone, iPad e Android contra infecções e ataques, anúncios maliciosos e avisa sobre sites perigosos.
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